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Cientista é a primeira mulher a ganhar prêmio da Sociedade Brasileira de Física

Publicado em 04 março 2021

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A professora Yvonne Mascarenhas, da USP de São Carlos, recebeu o título por sua contribuição no campo da Física da Matéria Condensada e de Materiais no Brasil

Entre os feitos das mulheres na ciência no mês de março, ou Mês da Mulher, a conquista do Prêmio Joaquim da Costa Ribeiro 2021 pela professora Yvonne Mascarenhas, da USP de São Carlos é um dos destaques. Aos 90 anos, a cientista brasileira é a primeira mulher a ganhar o prêmio, que reconhece não só o trabalho de pesquisadores, mas a contribuição para o campo da Física da Matéria Condensada e de Materiais no Brasil.

O prêmio foi outorgado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) "por suas atividades de pesquisa pioneiras em cristalografia de raios X e por iniciar uma sólida comunidade científica nesta área no Brasil", como explicou a instituição no anúncio oficial. Desde 2019, o prêmio busca reconhecer o trabalho de um pesquisador brasileiro no da Física.

Quem é Yvonne Mascarenhas

A vencedora desse prêmio e título nasceu em Pederneiras, interior de São Paulo em 1931. Após mudar-se para o Rio de Janeiro com a família, formou-se Bacharel em Química em 1954 pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil.

Em 1956, mudou-se para São Carlos (SP) e com seu esposo, Sérgio Mascarenhas, iniciou a jornada desafiadora tornar a cidade um centro de referência internacional em pesquisa de Materiais, no campo da Física. Além disso, foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Escola de Engenharia da Universidade de São Pulo em São Carlos.

Yvonne Mascarenhas ainda desempenhou um papel fundamental na atração de outros pesquisadores brasileiros, assim como estrangeiros de altíssimo nível para a cidade. Nesse sentido, também atuou como pivô na fundação do Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC).

Ao longo de sua trajetória, Yvonne trabalhou em instituições de prestígio como Harvard, Princeton e Birkbeck College nos Estados Unidos e participou do grupo responsável pelo desenvolvimento do banco de dados cristalográficos de Cambridge (CCDC). Além de fundadora e primeira presidente da Associação Brasileira de Cristalografia (ABCr), onde também trabalhou em outras funções, a cientista ainda atuou na função administrativa em outros institutos independentes de Química (IQSC) e de Física (IFSC).

Yvonne Mascarenhas | Foto: Léo Ramos Chaves/Revista Fapesp

Feitos

Em sua carreira, a cientista supervisionou cerca de 40 estudantes de mestrado e doutorado, tendo publicado aproximadamente 200 artigos e oferecido diversas contribuições em conferências e simpósios. Além disso, seu grupo de pesquisa tornou-se referência em Cristalografia Química e Biologia Estrutural na América do Sul.

Yvonne Mascarenhas se destaca pela colaboração que resultou na determinação da estrutura cristalina da oxitocina e de toxinas de veneno de cobras. Ademais, há ainda o importante trabalho de treinamento de jovens e ações voltadas à promoção de meninas e mulheres na ciência.

Premiação

O prêmio será entregue em sessão solene que ocorrerá durante o Encontro de Outono da Sociedade Brasileira de Física. O evento está marcado para acontecer entre os dias 21 e 25 de junho.

Em publicação oficial, a USP São Carlos exaltou a trajetória de Yvonne Mascarenhas na vida acadêmica, profissional e pessoal. "A Professora Yvonne – cientista, esposa, mãe de quatro filhos, é, não somente um ícone da Ciência Brasileira, mas um motivo de grande orgulho e exemplo para suas colegas, mulheres, cientistas”, afirmou a instituição.

Com informações de Só Notícia Boa e USP São Carlos