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Jornal da Unesp online

Cientista de Rio Claro lidera busca por fármacos a partir de venenos

Publicado em 14 março 2012

Durante quatro anos, um grupo de pesquisadores coordenado por Mario Sergio Palma, professor do Instituto de Biociências (IB), Câmpus de Rio Claro, estudou como as toxinas produzidas por animais venenosos contêm compostos que podem ser aproveitados no desenvolvimento de uma ampla gama de fármacos e inseticidas.

O projeto, intitulado Procura de compostos líderes para o desenvolvimento racional de novos fármacos e pesticidas a partir da bioprospecção da fauna de artrópodes brasileiros, foi realizado com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), no âmbito do programa Biota. O grupo se dedicou à identificação e elucidação da estrutura molecular de cerca de 200 peptídeos e proteínas, além de 140 pequenas moléculas encontradas no veneno de diferentes grupos de aranhas, vespas e outros artrópodes venenosos do Brasil.

A pesquisa teve dois focos principais: as macromoléculas de biopeptídeos e proteínas - que têm interesse para aplicações na indústria química e farmacêutica - e as pequenas moléculas. A equipe se dividiu entre os dois focos e trabalhou com artrópodes venenosos de diferentes grupos, incluindo aranhas, vespas, abelhas e formigas.

Foram buscadas drogas com ação neurotóxica, porque, segundo Palma, quando se compreende a estrutura e a ação dessas substâncias, com uma pequena modificação, é possível fazer com que elas tenham ação neuroprotetora. "No decorrer da pesquisa, a estrutura das toxinas evoluiu para se adaptar à estrutura das células dos animais que deveriam ser atacados, ou dos quais era preciso se defender", explica o professor. "Assim, em geral, para compreender a ação da toxina, é preciso não apenas desvendar sua composição, mas entender todo o contexto no qual ela atua."

Parcerias e novos laboratórios

O trabalho realizado pelo grupo, por ser essencialmente multidisciplinar, exigiu o constante estabelecimento de parcerias com pesquisadores de áreas como fisiologia e farmacologia. Embora envolvesse apenas dois grupos permanentes da Unesp, em Rio Claro e em São José do Rio Preto, o grupo se disseminou em diversas áreas e instituições.

Toda a infraestrutura gerada pelo projeto, além de permitir o aprimoramento de técnicas de análise de estrutura e espectrometria de massas, gerou a consolidação de laboratórios, utilizados por pesquisadores de 63 instituições diferentes.

Por meio dele, os cientistas aprofundaram estudos dos mecanismos de ação das toxinas e ganharam experiência com novas técnicas de síntese de peptídeos e de pequenas moléculas. A ação também possibilitou a montagem de uma unidade de síntese de peptídeos, originou 10 teses de doutorado, 13 dissertações de mestrado e teve, ainda, a permitiu a participação de seis pós-doutorandos e 14 bolsistas de iniciação científica.

Assessoria de Comunicação e Imprensa, com informações da Agência Fapesp