A aprovação da primeira vacina contra a dengue em dose única do mundo marca um momento histórico para a saúde pública brasileira e também para Canoinhas. O imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan acaba de receber o aval da Anvisa e será incluído no Programa Nacional de Imunizações a partir de 2026.
A Butantan-DV será aplicada na população de 12 a 59 anos e chega como uma resposta concreta a uma das doenças que mais preocupam o Brasil. Só em 2024, o país registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue. Em 2025, até novembro, já foram mais de 1,6 milhão.
Por trás desse avanço está também a trajetória de uma canoinhense. Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, nascida na comunidade de Felipe Schmidt, interior de Canoinhas, hoje é diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Instituto Butantan, setor estratégico onde funcionam 12 laboratórios responsáveis por transformar pesquisa em soluções reais para a população.
Foi dentro deste centro, sob a estrutura que ela dirige, que ocorreu todo o desenvolvimento técnico da vacina da dengue em escala piloto, permitindo os testes regulatórios e as primeiras fases dos ensaios clínicos. Segundo Ana, o processo envolveu várias áreas e dezenas de profissionais ao longo de muitos anos.
Em conversa com o Portal da Cidade Canoinhas, a doutora Ana Marisa Chudzinski-Tavassi explicou que a vacina é composta pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o que equivale, na prática, a quatro vacinas em uma única dose. Isso garante uma proteção ampla e eficaz, com foco principal em evitar internações e casos graves da doença.
Os ensaios clínicos realizados com mais de 16 mil voluntários em 14 estados brasileiros apontaram 74,7 por cento de eficácia geral, 91,6 por cento contra formas graves da doença e 100 por cento de proteção contra hospitalizações. Os efeitos adversos foram, em sua maioria, leves.
Durante a entrevista ao Portal da Cidade, Ana Marisa também destacou que, embora o mérito científico direto pertença à pesquisadora doutora Neuza Galina e sua equipe, sua contribuição ocorre na condução da estrutura, da gestão, da viabilização dos recursos e do suporte aos projetos. O desenvolvimento contou com financiamento de órgãos como o BNDES e agências de fomento.
Atualmente, o Butantan já possui mais de um milhão de doses prontas e uma parceria internacional garante a produção de cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026.
A trajetória de Ana começou em Canoinhas, passou por Porto União, Curitiba, França, Argentina e agora chega ao centro de um dos maiores avanços recentes da ciência brasileira. Uma história que mostra como a dedicação à pesquisa pode transformar realidades e levar o nome de Canoinhas para o mundo.