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Cientista cria sensor para o Aedes aegypti

Publicado em 18 dezembro 2015

Por Bete Cervi

Ribeirão Preto e Região - Identificar automaticamente um mosquito pelo som que emite é a proposta do projeto coordenado pelo professor e pesquisador Gustavo Batista, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

O desafio mobiliza o pesquisador há cerca de quatro anos e os esforços já resultaram na criação de um sensor capaz de identificar, com uma precisão de mais de 90%, as espécies e o sexo dos insetos. Isso é muito importante no caso do Aedes aegypti, em que apenas as fêmeas são vetores de doenças como a dengue, a zyka e a chikungunya. "Nossa meta, agora, é transformar esse sensor em um produto eletrônico: uma armadilha inteligente que possa ser comercializada", diz Batista.

"Para mais bem entender como funciona, usamos uma supercâmera lenta. Por mais que se pareçam, quando a gente vê a olho nu os mosquitos voando, eles são muito diferentes. A gente sabe que diferentes insetos batem asas de formas diferentes, em diferentes quantidades de asas, diferentes formatos de asa. Então, pelas características de voo, identificamos e criamos o sistema de reconhecimento", explica. Recentemente, o projeto para construir o protótipo da armadilha foi aprovado no 3º ciclo do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O doutorando do ICMC Vinícius Souza coordenará a iniciativa e abrirá empresa para produzir o protótipo, tendo à disposição até R$ 200 mil nessa primeira fase.

Segundo Batista, a futura armadilha possibilitará à população realizar a contagem dos mosquitos em tempo real. Assim, será viável conectar o equipamento à internet, permitindo que dados obtidos pelas armadilhas gerem mapas de controle para órgãos públicos. Também será possível criar aplicativos para alertar e orientar a população no combate ao Aedes. Desenvolver tais aplicativos é o foco de outro doutorando do ICMC, André Maletzke, bolsista do Google. A pesquisa teve início em 2011, quando o professor Batista estava fazendo seu pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Riverside, nos Estados Unidos. Nessa época, o Laboratório de Inteligência Computacional (Labic) do ICMC estabeleceu uma parceria, que dura até hoje, com pesquisadores da universidade norte-americana.

Naquela época, o trabalho foi financiado pela Fapesp e pela Fundação Bill and Melinda Gates, cujo objetivo é apoiar pesquisas altamente inovadoras. Na ocasião, o objetivo era criar um sensor específico para os vetores da malária. Hoje, ainda com fundos da Fapesp, o trabalho tem a colaboração da professora do ICMC Solange Rezende, além do professor da Universidade da Califórnia, em Riverside, Eamonn Keogh, e do fundador e presidente da Isca Technologies, Agenor Mafra-Neto. Também colaboraram alunos e ex-alunos do ICMC: Diego Silva, Denis dos Reis, Cristiano Lemes e Luan Soares. Além dos doutorandos norte-americanos Yanping Chen, Adena Why, Moses Tataw, Bing Hu e Yan Hao. O professor Gustavo Batista faz parte ainda do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI).