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Cientista brasileira está entre cinco vencedoras do Prêmio Mulheres na Ciência nos Estados Unidos

Publicado em 09 dezembro 2020

A pesquisadora Silvania da Silva Teixeira está entre as cinco vencedoras do Prêmio L’Oréal – USA For Women in Science 2020, premiação global oferecida pela Fundação L’Oréal, para promover o trabalho de jovens cientistas.

A brasileira, que foi doutoranda e pós-doutoranda no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), com apoio da FAPESP, atualmente faz pesquisas na Universidade de Colorado Denver, onde estuda um tratamento inovador para diabetes, usando um metabólito do hormônio tireoidiano.

Em seus estudos preliminares, a pesquisadora testou o metabólito em camundongos com diabetes tipo 2 e observou um aumento nos níveis de insulina dos animais. A hipótese é que esse tratamento pode induzir a proliferação de células beta pancreáticas, aumentando a secreção de insulina.

Para tratar a resistência à insulina, característica da diabetes tipo 2, serão feitos testes com a metformina, que aumenta a sensibilidade à insulina. A expectativa é que os dois tratamentos combinados sejam capazes de normalizar os níveis de glicose no sangue, sem efeitos colaterais graves. No entanto, ainda são necessários mais experimentos para chegar a uma possível fase clínica.

Parte de seu pós-doutorado foi feito em Houston, Estados Unidos, no Houston Methodist Research Institute. Desde 2014, Silvania vive nos Estados Unidos. Ela é pós-doc na University of Colorado, em Denver, onde irá conduzir o estudo.

Nessa nova fase da pesquisa, a cientista irá usar como modelo animal os ratos do tipo Zucker, que desenvolvem diabetes de maneira bem parecida com os humanos.

“Quando esses animais apresentarem uma deterioração das células beta, as responsáveis pela produção de insulina, vamos começar a tratá-los com o metabólito do hormônio tireoidiano por quatro semanas. Depois, iremos investigar como está o pâncreas desses animais e suas células beta”, explica. A previsão é que até o final de 2021 o grupo tenha resultados suficientes para publicar um artigo.

A premiação foi uma surpresa. “Foi a primeira vez que me inscrevi para um financiamento nos Estados Unidos – ainda estava tentando entender como funcionava, que é bem diferente do Brasil”, conta.

No vídeo de apresentação das cientistas vencedoras (que você assiste mais abaixo), a brasileira falou sobre os desafios da carreira científica e o que ela espera do projeto.

“Houve um tempo em que eu pensava que não conseguiria ser mãe e cientista. Mas eu quero ser a mãe que minha filha terá orgulho e quero fazer a diferença. Essa pesquisa poderia melhorar a vida de mais de 400 milhões de pessoas com diabetes no mundo.”

Criado em 2003, o L’Oréal-USA For Women in Science é fruto de uma parceria entre a L’Oréal dos Estados Unidos e a American Association for the Advancement of Science (AAAS), que anualmente premiam cinco mulheres cientistas com bolsas de US$ 60 mil por suas contribuições nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

O programa é a versão americana do prêmio internacional L’Oréal-Unesco For Women in Science, que conta com 52 programas nacionais e regionais em 110 países, com o objetivo de valorizar e incentivar a presença feminina na ciência. Há também uma versão brasileira do prêmio, o Para Mulheres na Ciência, criado em 2006 pela Unesco Brasil, a Academia Brasileira de Ciências e a L’Oréal Brasil.

*Texto publicado originalmente em 08/12/20 no site da Agência Fapesp de Notícias

Foto: divulgação Prêmio L’Oreal Mulheres na Ciência