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Cientista afirma que desmatamento possibilita o contágio de novos vírus

Publicado em 05 junho 2020

Porto Velho, RO - O cientista brasileiro, Paulo Artaxo, foi mais um dos especialistas de renome nacional que colaboraram com a Semana Digital de Meio Ambiente de Porto Velho, promovida pela Secretaria Municipal de Integração, por meio da Subsecretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema). A programação que acontece virtualmente, devido ao momento em que o país vive de enfrentamento ao coronavírus e necessidade de distanciamento social, iniciou na segunda-feira e encerra nesta sexta-feira (5), dia Mundial do Meio Ambiente.

Artaxo gravou um vídeo, para que fosse compartilhado nas redes sociais e portais do município, em que destaca a necessidade urgente de preservar e conservar as florestas tropicais naturais. Ele afirmou que o país pode esperar mais uma vez por um aumento na incidência de queimadas neste ano a partir do mês de agosto. “Infelizmente, vai acontecer mais uma vez. E isso tem efeitos enormes na saúde da população e danos ao meio ambiente irreparáveis. E é importante salientar que, as queimadas na Amazônia, são todas provocadas pelo homem, através do processo de desmatamento, ou de manutenção de pastos. Não existem queimadas naturais na Amazônia, pela alta taxa de precipitação inclusive na estação seca”, relatou.

O cientista, que inclusive já trabalhou na Nasa, pontuou que todo mundo que vive na Amazônia sente o aumento da dificuldade de respirar na época da seca, por causa da fumaça. “Essa fumaça contém vários poluentes atmosféricos entre eles o ozônio, o monóxido de carbono, e material particulado e neste último, há vários compostos químicos que são mutagênicos e que são cancerígenos, trazendo dano real para a saúde da população”, lamentou.

O especialista que estuda física, aplicada a problemas ambientais, e é um dos maiores especialistas em mudanças climáticas no Brasil, lembrou ainda que os prejuízos econômicos e ambientais que as queimadas trazem para a Amazônia são enormes. “O pior uso que se pode fazer da rica biodiversidade da Amazônia e da sua potencial exploração sustentável é queimar essa floresta e transformar ela ou em plantação de soja ou em pasto. Precisamos urgentemente mudar esse cenário. Temos que reduzir as queimadas a praticamente zero. E isto é possível e inclusive com ganho financeiro”, observou.

Paulo Artaxo enfatizou que o Brasil é signatário do acordo de Paris onde se comprometeu como País a eliminar as queimadas na Amazônia até 2025. “Quanto mais cedo fizermos isto, melhor. Temos que fazer a construção de um novo modelo econômico para a Amazônia que tem que partir, inclusive, da própria população”, frisou.

Vírus na Biota

A respeito do novo coronavírus, Paulo Artaxo, destacou que a Amazônia contém, na sua floresta nativa, milhares de vírus em sua Biota (conjunto de seres vivos de um ecossistema, o que inclui a flora, a fauna, os fungos e outros organismos). “Esses vírus, conforme vai se desmatando a floresta, vão tendo mais possibilidade de contágio com os seres humanos. Esse é um perigo real como a própria pandemia do coronavírus, como o ebola e outros vírus que migram da vida selvagem para a sociedade. A única forma de prevenção a novos vírus é preservando as florestas tropicais naturais”, concluiu agradecendo à prefeitura de Porto Velho pelo convite e elogiando a iniciativa de continuidade dos debates mesmo de forma virtual.

Currículo

O professor Paulo Artaxo é graduado em física pela Universidade São Paulo (1977), tem mestrado em física nuclear pela USP (1980) e é doutor em física atmosférica pela USP (1985). Trabalhou na NASA (Estados Unidos), Universidades de Antuérpia (Bélgica), Lund (Suécia) e Harvard (Estados Unidos). Atualmente é professor titular do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP.

Trabalha com física aplicada a problemas ambientais, atuando principalmente nas questões de mudanças climáticas globais, meio ambiente na Amazônia, física de aerossóis atmosféricos, poluição do ar urbana e outros temas. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da World Academy of Sciences (TWAS) e vice presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP).

Publicou mais de 480 trabalhos científicos e apresentou 1.020 papers em conferências científicas internacionais. Tem mais de 22.900 citações de seus trabalhos no ISI Web of Science com índice H de 82, e publicou 26 trabalhos nas revistas dos grupos Science e Nature. Tem mais de 47.400 citações no Google Scholar, com índice H no Google Scholar de 104. Coordenou dois Institutos do Milênio do CNPq, é membro do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) e de 7 outros painéis científicos internacionais.

É, ainda, coordenador do Programa Fapesp de Mudanças Climáticas Globais, e membro do INCT Mudanças Climáticas. É representante da comunidade científica no Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Em 2004 recebeu um voto de aplauso do Senado Brasileiro pelo trabalho científico em meio ambiente na Amazônia. Em 2006 foi eleito fellow da American Association for the Advancement of Sciences. É membro da equipe do IPCC que foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz de 2007.

Em 2007 recebeu o prêmio de Ciências da Terra da TWAS e o prêmio Dorothy Stang de Ciências e Humanidades de 2007. Em 2009 foi agraciado com o título de doutor em filosofia Honoris Causa pela Universidade de Estocolmo, Suécia. Em 2010 recebeu o prêmio Fissan-Pui-TSI da International Aerosol Research Associations. Também recebeu em 2010 a Ordem do Mérito Científico Nacional, na qualidade de comendador, em em 2018 na qualidade de Grão Cruz. Em 2016 recebeu o Prêmio Almirante Álvaro Alberto outorgado pelo CNPq, Marinha, MCTI e Fundação Conrad Wessel. É Pesquisador Emérito do CNPq. Em 2017 recebeu o Prêmio Globo Faz a Diferença. Recebeu o prêmio de Most Cited Researcher da Clarivate Analytics em 2014, 2015, 2018 e 2019.

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