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Gazeta Mercantil

CIÊNCIA - SBPC propõe agenda a presidenciáveis

Publicado em 12 julho 2002

Por Gisele Teixeira - de Goiânia
Na ausência dos principais candidatos à Presidência da República ao debate programado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), ontem, em Goiânia, a comunidade científica elaborou propostas que serão entregues aos presidenciáveis. Entre as principais demandas do setor, a presidente da SBPC, Glaci Zancan, destaca a necessidade de restaurar a capacidade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de financiar o trabalho dos pesquisadores e de garantir a liberdade temática das pesquisas (fomento) e de ampliar a formação de recursos humanos (bolsas). O orçamento da instituição está congelado desde a época da paridade do real com o dólar e, como valor das bolsas é alto, o que resta para fomento é irrisório. "O que era US$ 620 milhões virou R$ 620 milhões", diz Glaci. Além disso, o governo federal contingenciou 45% do valor que seria repassado este ano. Glaci destaca que é preciso um aporte urgente de dinheiro, principalmente para equilibrar este binômio fomento/bolsa. Só para se ter uma base de comparação, na Fundação de Amparo para a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o limite pára concessão de bolsas é de 30% do orçamento total, sendo o restante para fomento. No CNPq é exatamente o contrário. Quase todo o dinheiro (90%) é destinado ao pagamento de bolsas. "Neste momento, nem isso", completa um dos secretários da SBPC, Jorge Almeida Guimarães. Até as bolsas estão minguando. Guimarães informa que até 1995,42% dos estudantes de mestrado Tinham bolsas do CNPq. Hoje esse percentual está reduzido a 16%. No caso de cursos de doutorado, a queda foi de 60% para 30% e. para os estudantes do exterior, os números são ainda mais dramáticos. Em 1994, 2,4 mil pessoas estavam fora do Brasil por conta do CNPq. Se somados os alunos bancados pela Fapesp e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), eram cerca de 5 mil alunos em instituições internacionais. Hoje não passam de mil, sendo que os beneficiados pelo CNPq beiram 500. Segundo Guimarães, isto é um descaso com uma das instituições que ajudaram a colocar o Brasil na 17ª posição no ranking mundial de produção científica. Já a presidente da SBPC enfatiza que a área econômica precisa entender que a manutenção dos recursos para ciência e tecnologia precisam ser liberados de forma permanente. "Não podem ser vistos como custo. São investimentos", completa. Na abertura da reunião da SBPC, no último domingo, o ministro de Ciência e Tecnologia. Ronaldo Sardenberg, se disse "'constrangido" com a atual situação financeira do MCT. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Física, José Roberto Leite, era claro que ele estava se referindo à situação do CNPq. "Mas muito mais constrangidos estamos nós, presidentes de sociedades científicas, cobrados que somos em nossa impotência de resolver o problema", ressaltou. No campo do MCT, a SBPC tem outras reivindicações a fazer aos candidatos ao Palácio do Planalto. Entre elas, a institucionalização do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, e a definição de "um papel claro" para o Centro de Gestão de Estudos Estratégicos. Também sugerem a promoção de mecanismos de gestão e fomento para áreas estratégicas e de inovação tecnológica voltados para as áreas, sociais, como forma de promover a qualidade de vida da população.