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Folha da Região (Araçatuba, SP) online

Ciência: no centenário de Araçatuba, Rio Preto ganha museu de ciência maior

Publicado em 22 março 2008

Por Roelf Cruz Rizzolo

Uma exitosa parceria entre a Unesp, a Prefeitura de São José do Rio Preto e a Faperp (Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão de São José de Rio Preto) permitirá a inauguração nessa cidade, provavelmente em maio, do Centro Integrado de Ciências, um projeto destinado à divulgação das ciências em geral.

Como esse modelo de parceria pode representar um exemplo a ser seguido por municípios do porte de Araçatuba, vale a pena descrever resumidamente como e em que medida cada uma das partes envolvidas está participando.

A Prefeitura está doando terreno e prédios e entrando com recursos para custeio, contratação e pagamento de funcionários, mobiliário, equipamentos, etc. O prédio (já pronto) tem planetário capaz de acomodar noventa pessoas em suas poltronas reclináveis, e todo o sistema de projeção já instalado. Possui também observatório astronômico, com teto basculante e seis telescópios prontos para uso. Ainda, um segundo observatório está em construção e contará com um telescópio de maiores proporções incluindo área de pesquisa. O prédio possui também, prontos ou em fase final de construção, locais especiais para exposições nas áreas de biologia, física, química e matemática; sala de internet e outros espaços para exibições temporárias de ciência, artes plásticas, espetáculos de dança e teatro, além de cantina, estacionamento, e ainda uma grande área verde a ser posteriormente utilizada para exposições ao ar livre.

A Unesp entra com o trabalho dos professores, alunos, projetos científicos, captação de recursos nas agências financiadoras como Fapesp, CNPq, Finep; montagem de exposições permanentes e temporárias, acervo, organização de cursos, projetos de integração com a rede de ensino fundamental e médio, etc.

Finalmente, a Faperp será responsável pelo trabalho de gestão, como contratação e supervisão do trabalho dos funcionários, funcionamento e administração.

Além da motivação e perseverança da administração e docentes da Unesp de Rio Preto para conseguir esse feito, houve uma enorme boa vontade e participação por parte da Prefeitura, através, fundamentalmente, da Secretaria de Educação daquele município, grande incentivadora da proposta.

Reconheço que ao dar essa notícia sinto uma mistura de alegria e (saudável) inveja. Por um lado, o exemplo rio-pretense nos mostra que esse tipo de parceria é possível. Já por outro lado, vivenciamos a dificuldade de criar em Araçatuba algo similar.

Nossa unidade Unesp está determinada em concretizar um espaço semelhante. Existe um empenho real da atual administração da FOA e boa vontade da Reitoria em contribuir de forma efetiva. Mas a Unesp não pode sozinha arcar com todos os gastos que um projeto dessa magnitude exige. É por isso que a conscientização do poder público e do setor privado se faz tão necessária. Cada vez é maior o número de municípios decididos a investir nesse tipo de projeto. Ubatuba, Santos, São Paulo, São João da Boa Vista, Araraquara, São Carlos, Cruzeiro, Brotas, Campinas, Botucatu, Paulínia, Guaratinguetá, Piracicaba, Diadema, Águas de Lindóia, Santo André, Bauru, só para citar alguns exemplos no Estado de São Paulo. Museus de ciência são interfaces ideais para a transferência do conhecimento que universidades e centros de pesquisa criam ou manipulam. Acabam se transformando nos laboratórios de ciências que as escolas de rede pública de ensino fundamental e médio, por causa do sucateamento, não mais possuem. São os locais de excelência onde políticas públicas de inclusão científica e educacional podem ser efetivadas. Áreas de educação e lazer das quais somos tão carentes.

A criançada de Rio Preto já sentirá a diferença. Imagino como serão diferentes suas aulas. Na escola, aprenderão sobre a formação do universo, ouvirão falar do Big Bang, sobre a lenta formação das galáxias, das estrelas e dos planetas. Lerão sobre os anéis de Saturno, as luas de Júpiter, sobre cometas e asteróides. E depois, reclinados nas poltronas do novo planetário, entre a escuridão e o deslumbramento, verão desfilar todos esses astros. E como se fosse pouco, à noite, viverão a aventura de observar através de telescópios os planetas recém estudados. E o mesmo ocorrerá com os assuntos de biologia, química, física... É assim que deve funcionar a educação escolar da criançada de hoje se quisermos ter adultos capazes de transformar nosso país amanhã.

Por enquanto, só nos resta parabenizar a Unesp e a Prefeitura de Rio Preto por essa conquista. E lembrar que negar às crianças de nossa região oportunidades de educação de qualidade, e lazer, é enterrar de forma irremediável nosso futuro.

Roelf Cruz Rizzolo é professor de Anatomia Humana da Unesp, campus de Araçatuba, e escreve neste espaço quinzenalmente.