Notícia

Gazeta Mercantil

Ciência fluminense revive

Publicado em 24 outubro 2001

Por Fernando Peregrino*
Os tempos estão mudando. Houve época que São Paulo representava isoladamente o crescimento da pesquisa científica e tecnológica e que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) era a única entidade estadual de fomento à Ciência & Tecnologia com significativa quantidade de recursos para investir nesta área. Hoje, a realidade demonstra que o Rio de Janeiro, além dê uma taxa de variação anual do PIB de 4,47% no ano de 2000 e com uma renda per capita 60% superior à média nacional, vem se destacando nesse setor até mais que São Paulo. Segundo dados do CNPq, o Rio de Janeiro experimenta um expressivo crescimento em sua base científica instalada. As taxas de crescimento do estado vêm sendo superiores às de São Paulo e Região Sudeste. Do ponto de vista do crescimento do número de pesquisadores, o Rio de Janeiro possuía 4.382 pesquisadores em 1995. Já no ano 2000, este número havia aumentado 117,80%, totalizando 9.544 pesquisadores. Se forem considerados os grupos de pesquisa, os dados indicam que eram 1.386 grupos de pesquisa em 1995 atuantes no Rio de Janeiro e 2.957 em São Paulo. Hoje, o Rio de Janeiro possui 1.922 e São Paulo 3.645, o que representa 38,67% a favor do Rio de Janeiro. Este avanço pode ser explicado em grande parte pela consciência da importância do papel da Ciência & Tecnologia para os governos estaduais. No caso específico do Rio de Janeiro, se forem computados os investimentos para esse ano de 2001 da agência estadual de fomento (Faperj), tem-se uma diminuição da distância entre Rio de Janeiro e São Paulo. Isto porque, considerando-se a taxa de investimento per capita e atribuindo-se o índice de cem a São Paulo, o Rio de Janeiro já está em 64, sendo que esteve em 43 no ano passado, bem superior ao índice médio das demais fundações de amparo à pesquisa que giram em torno do índice de 13 neste ano de 2001. Em valores absolutos, essa evolução do Rio de Janeiro resulta da ampliação dos recursos estaduais nos últimos anos destinados ao desenvolvimento da Ciência & Tecnologia no estado. Ao longo de seu governo, o Governador Anthony Garotinho vem, ano a ano, elevando o volume de recursos repassados, de R$ 47 milhões em 1999 para R$ 67 milhões em 2000. Esta situação não reflete a realidade federal, uma vez que os recursos federais transferidos para o estado têm diminuído ao longo dos anos, fazendo com que, em alguns casos, a Faperj tenha que completar com seus recursos os projetos contratados pelo governo federal. Um exemplo que ilustra esta situação é um dos projetos pioneiros no âmbito nacional, desenvolvido pela Faperj, a Rede Rio de Computadores, integrada por mais de 90 universidades e centros de pesquisa localizados no Estado do Rio de Janeiro. Embora a Rede Rio sirva a quase totalidade das entidades federais de pesquisa, esta praticamente não tem recebido recursos correspondentes a sua importância da esfera federal, sendo mantida em 90% com recursos do estado e com alguma contribuição da Fiocruz, bem como da Finep. Para o ano de 2001, o governo do Estado do Rio de Janeiro repassará R$ 96 milhões à Faperj, que permitirá a continuidade do financiamento de projetos como Genoma (estadual), Tecnologia na Empresa, Inovação Rio, Segurança Pública, bem como o programa Cientistas de Nosso Estado, de apoio aos jovens pesquisadores e cientistas dos quais dependem, em grande parte, os avanços científicos e tecnológicos do Rio e, em última instância, do Brasil. * Presidente da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj)