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Agência C&T (MCTI)

Ciência explica mecanismos do amor moderno e a lógica do ficar

Publicado em 13 maio 2008

Agência Fapesp - Pesquisas brasileiras e internacionais afirmam: o amor pode ser espontâneo, mas bem que se pode dar uma forcinha para que ele surja. Freqüentar locais que facilitem a paquera e conhecer os amigos dos amigos podem ser oportunidades para encontrar a alma gêmea.

Mas, segundo pesquisa do psicólogo Ailton Amélio, fundador e coordenador do Centro de Estudos da Timidez e do Amor, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), um dos pioneiros no estudo desta área, 37% dos casais se originam a partir de relacionamentos extra-amorosos, como colegas de trabalho, ex-colegas de escola, amigos e conhecidos. Entre as vantagens, está o fato de se conhecer melhor a pessoa. E, de desvantagem, Amélio cita em seu livro "O mapa do amor", da editora Gente - onde detalha suas pesquisas realizadas ao longo de 10 anos - que há evidências que de que o convívio prolongado diminui a atração amorosa.

Em outro estudo, baseado em pesquisas internacionais, Amélio constatou que grande parte das pessoas sente algum tipo de atração por outras de seu círculo de relação. Quem está sozinho, geralmente se sente atraído por um maior número de pessoas do que quem está envolvido em um relacionamento amoroso. E que a capacidade das mulheres para se sentirem atraídas por outra pessoa que não o namorado, é mais afetada pelo namoro que no caso dos homens.

Nada é como era

Segundo o pesquisador, os relacionamentos estão mais complicados hoje do que antigamente. "O que acontece atualmente é que houve uma liberalização e uma complicação nessa seqüência amorosa. A paquera continua universal e o noivado quase não se usa mais", explica Amélio. "O casamento perdeu a força e não é mais considerado eterno. A religião e as leis facilitaram a entrada e a saída de um casamento. Antes, descasar era considerado pecado e era muito longo o processo do divórcio", afirma. (veja gráfico abaixo sobre as mudanças nas etapas de relacionamento).

O pesquisador, no entanto, acredita que o relacionamento entre casais pode voltar a ser como antigamente, com a volta da valorização do casamento. "Sempre que uma geração faz algo, acaba exagerando. E existe uma espécie de movimento pendular. Quando um exagera, os próximos puxam para outro extremo. Então é possível que as coisas voltem a ser como antes", afirma.