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Ciência em Série: pesquisadores da Unicamp divulgam conteúdo científico de forma acessível

Publicado em 11 março 2020

Uma sequência de vídeos curtos, intitulada “Ciência em Série”, foi lançada por jovens cientistas do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O projeto "Ciência em Série"

Ciência em Série divulga pesquisas científicas de maneira didática

No programa, os participantes falam a respeito de suas pesquisas de forma simples e fácil, buscando deixar os estudos científicos mais didáticos e interessantes. Os vídeos podem ser conferidos no YouTube e fazem parte da iniciativa de divulgação científica Planteia.

A iniciativa é coordenada pela pesquisadora Camila Cunha, no âmbito do Programa Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp) e com apoio do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), do Grupo de Gestão em Tecnologias Educacionais (GGTE) e do Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) do Instituto de Biologia, todos da Unicamp.

No total, são 14 vídeos compostos por: uma introdução ilustrada pelo artista Vicente Magalhães, 11 vídeos curtos e dois vídeos bônus, com duração média de um minuto.

Inspirada em um desafio do Instituto Serrapilheira (programa que apoia a ciência) feito aos pesquisadores contemplados em 2018, Camila Cunha achou que estimular alunos de iniciação científica e pós-graduação a falar sobre suas pesquisas em vídeos curtos seria um exercício interessante.

“Como cientistas esquecemos que fazer ciência é comunicar, primeiro para os pares e depois para a sociedade. Muitos cientistas subestimam a importância de aprender técnicas de produção audiovisual. Precisamos lembrar que estamos na Era Digital e as grandes transformações passam invariavelmente pelos meios de comunicação”, comenta a coordenadora.

Para ela, a criação multimídia é parte fundamental do letramento digital e depende do desenvolvimento de várias habilidade que passam por acessar, entender, avaliar criticamente e criar conteúdo em diferentes formatos e contextos.

Sobre o Planteia

O Planteia é um blog de jornalismo e divulgação científica experimental e independente, fundado em janeiro de 2020. A participação no Programa Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em 2019 alavancou o projeto.

Com foco em conteúdo multimídia, serve ao público em geral e aborda tópicos em divulgação da ciência relacionados às plantas cultivadas e aumenta a visibilidade de cientistas da área de ciências agrárias.

Com espaço para o aprendizado e a experimentação, queremos conscientizar, inspirar e transformar. O projeto é parte também da rede de Blogs de Ciência da Unicamp.

No processo de produção dos vídeos, primeiro foi pedido aos cientistas para escrever um texto curto que pudesse ser lido em até um minuto sobre sua pesquisa. O uso de jargões foi evitado sempre que possível e analogias foram incentivadas para explicar conceitos abstratos, facilitando a compreensão.

Confira os relatos de dois participantes do projeto:

“Sempre gostei muito de divulgação científica e escrevo textos para o blog Terabytes of Life, parte da rede de Blogs de Ciência da Unicamp. Então, a escrita não foi um problema para mim, já transformar a escrita em vídeo sim. Acho que o maior desafio foi gravar o vídeo em estúdio com tantos aparatos e conseguir falar no tempo certo e parecer natural”, comenta Sheila Nagamatsu, pós-doutoranda na Universidade de Yale, nos EUA. “Meu primeiro ímpeto a esse tipo de convite é recusar pela timidez. O processo de preparação para o vídeo foi muito mais técnico do que eu imaginava. Os maiores desafios foram resumir a minha pesquisa em apenas um minuto, decorar o texto e depois recitá-lo com naturalidade de quem está conversando com alguém, quando, na verdade, estamos olhando para uma câmera”, relata Fellipe Mello, pós-doutorando no Laboratório de Genômica e bioEnergia (LGE) da Unicamp.

Para criar uma conexão entre os vídeos, foi elaborado uma animação a fim de introduzir o tema das pesquisas. O ilustrador Vicente Magalhães foi quem assinou os desenhos que compõem os vídeos.

De acordo com ele, arte e ciência são fundamentais para a sociedade, sobretudo em tempos em que o cerco ao pensamento crítico e à liberdade artística ganham força. Sinto-me honrado e feliz em trabalhar com pessoas empolgadas e criativas para oferecer informações às pessoas que pouco ou nada têm de contato com a universidade”, comenta o ilustrador sobre a experiência.

Vale destacar que o projeto optou pela produção audiovisual porque, na cultura visual em que vivemos, vídeos sobre artigos aumentam as chances de serem baixados e até citados por outros autores ou instituições de pesquisa.

Atualmente, várias editoras de periódicos científicos renomados já têm em suas bases jornais que exigem a submissão de um resumo em forma de vídeo, então a escolha por esse meio está totalmente atrelada aos moldes acadêmicos atuais.