Notícia

Gazeta Mercantil

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Publicado em 19 maio 2002

Por Gisele Teixeira — de Brasília
Os secretários estaduais de Ciência e Tecnologia e as Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) estão preocupados com uma possível descontinuidade dos trabalhos de pesquisa a partir da eleição do novo presidente da República. Autoridades e cientistas chegaram à conclusão que babem muito pouco sobre as propostas dos candidatos para o setor. Ontem, em Brasília, durante fórum nacional de secretários e fundações, eles decidiram convidar os responsáveis pelos programas de governo dos presidenciáveis para exporem seus projetos durante a 54ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). que será realizada de 7 a 12 de julho, em Goiânia (GO). Para o presidente do Fórum das Fundações de Amparo à Pesquisa Estaduais e da Fundação do Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Francisco Romeu Landi, o momento eleitoral traz novamente à tona uma reivindicação antiga das fundações, a autonomia. "Precisamos preservar a continuidade dos trabalhos e o repasse dos recursos independente das alterações políticas", disse. Segundo ele, a solução passa pelo menor controle do governo sobre o dinheiro utilizado. "As fundações são órgãos de estado mas não necessariamente de um governo", afirmou Landi. Outra discussão iniciada ontem foi a necessidade de uma maior definição de políticas regionais de C&T com ênfase na participação das fundações como operadoras dos programas financiados pelos Fundos Setoriais. O assunto será esmiuçado em grupo a ser formado no Comitê Gestor de Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), com representantes das FAPs, do CNPq e da Finep. A diretora do CGEE, Lúcia Melo, apresentou uma balanço da participação de estados e regiões nas atividades dos fundos. Criado no ano passado, o Centro será o responsável daqui para frente pelas diretrizes de investimento de cerca de R$ 1 bilhão por ano em recursos dos 14 fundos setoriais.