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Correio Popular

Ciência e Tecnologia garantem eficácia na recuperação da mata

Publicado em 21 novembro 2006

O trabalho da ciência e da tecnologia tornou a preservação e a restauração da Mata Atlântica mais eficientes. Por meio delas, os pesquisadores conseguem entender onde e como está a floresta. "Já há grupos de pesquisas voltados exclusivamente para isso. Quanto mais gente trabalhar nesta área, melhor", disse à reportagem a bióloga Anita Diederichsen, coordenadora de Ciências do Programa Mata Atlântica da Organização Não-Governamental (ONG) The Nature Conservancy.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, auxilia a Fundação SOS Mata Atlântica, desde 1989, no mapeamento e monitoramento dos remanescentes florestais e ecossistemas associados da Mata Atlântica. O trabalho conta com a utilização de recursos e tecnologias da área da informação, sensoriamento remoto e geoprocessamento para produção de informações permanentemente aprimoradas e atualizadas desse bioma. São 115 imagens de satélites. Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador do Inpe responsável pelo Atlas da Mata Atlântica pondera, no entanto, que o trabalho "nunca teve a função de fiscalização". "É só um diagnóstico, mas é um apoio para a pesquisa nas academias", afirmou Ponzoni.
No início de 2001, por exemplo, houve o lançamento do Atlas Biota/Fapesp, que une os dados do Sistema de Informação Ambiental (SinBiota) e os mapas do Estado de São Paulo, produzidos pelo Instituto Florestal e auditados pela Unicamp, permitindo o mapemanto das espécies coletadas e possibilitando um futuro desenvolvimento de ferramentas que permitam a previsão da distribuição dessas espécies.
O professor Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, trabalha no Programa de Adequação Ambiental de Propriedades Agrícolas. "Atualmente, a restauração florestal em propriedades rurais tem se concentrado principalmente no ambiente ciliar, pois nas microbacias hidrográficas as matas ciliares desempenham importante papel ambiental ao proteger o sistema hídrico", disse. "Muito conhecimento científico sobre vários aspectos de matas ciliares foi gerado nas últimas décadas, principalmente sobre os processos envolvidos na sua dinâmica, tanto de matas ciliares preservadas, como de matas ciliares em diferentes graus e tipos de degradação, o que tem conduzido a uma significativa mudança na orientação dos programas de manejo e restauração dessas formações ciliares, que deixaram de ser mera aplicação de práticas agronômicas ou silviculturais, para assumir a difícil tarefa da reconstrução das complexas interações existentes numa vegetação florestal", completou.
Ainda na avaliação do especialista, o desafio atual "se concentra na tradução desse conhecimento científico em ações práticas de conservação, manejo e de restauração das matas ciliares, que efetivamente resultem na perpetuação dessas áreas restauradas".