Notícia

Metal Mecânica

Ciência e tecnologia a serviço da riqueza nacional

Publicado em 01 maio 2005

Por Cláudio Rodrigues

O conhecimento é hoje um dos fatores que mais pesa para tornar um produto competitivo. A partir de uma inovação, uma empresa tem condições de agregar valor a um produto, diminuir o seu preço e tomá-lo mais competitivo e mais atrativo, com novas características que agradam ao consumidor. No contexto da globalização, não basta bater recorde atrás de recordes em exportações de produtos sem agregados tecnológicos importantes. E necessário condicionar o sistema produtivo nacional a apropriar conhecimento aos seus produtos,principalmente se gerados internamente, e então competir com as empresas estrangeiras, em melhores condições, dentro e fora do País.
O Brasil passou a investir em programas de incentivo ao desenvolvimento científico e tecnológico a partir da década de 70, com o início dos programas de pós-graduação. O resultado começa aparecer hoje: o País já é responsável por cerca de 1,5% da geração de conhecimento no planeta. O dado pode parecer desprezível, mas se levarmos em conta que o Brasil começou a olhar de forma sistemática para esse setor há menos de 30 anos, enquanto a Europa já faz isso há séculos, os resultados são até surpreendentes (considerando também que a participação do País no comércio exterior é de cerca de 1%).
O que não se fez foi criar uma política industrial para acompanhar e apropriar essa geração de conhecimento à inovação tecnológica no setor produtivo. A Coréia do Sul o fez por meio de programas de fomentos específicos ao seu setor produtivo e tem hoje, por exemplo, um número de patente 30 vezes maior que o Brasil. A conseqüência é a quantidade de produtos de alta tecnologia que esse país coloca no mercado mundial e o estágio de desenvolvimento que atingiu, que trazem benefícios diretos à sociedade, como melhor renda, empregos qualificados e riqueza nacional.
Uma forma de incentivo à inovação tecnológica que começa a ser adotada no Brasil são os programas de fomento específicos da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e, principalmente, a Lei de Inovação, recentemente aprova da no Congresso, que vai na direção de facilitar a apropriação do conhecimento pelo setor produtivo.A Lei de Inovação Tecnológica e as parcerias público - privadas são ações de estímulo às em presas e à academia para se associarem e investirem juntas em pesquisas e desenvolvimento focados nas demandas por produtos com maior valor agregado.
Surge, nesse contexto, a essência do propósito de uma incubadora tecnológica: transformar boas idéias em bons negócios, gerando riqueza e criando empregos qualificados. A seleção e apoio aos projetos das empresas incubadas e o acompanhamento de seu sucesso no mercado são os objetivos maiores de uma incubadora. Ela é ape nas um passo na vida de um empreendimento: apóia, ajuda a crescer e se realiza quando este se transforma numa empresa competitiva.
De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Amparo a Micro e Pequena Empresa (Sebrae), sozinhas no mercado, 75% das peque nas empresas vão à falência antes de completar cinco anos de existência. Em algumas incubadoras, este número é inversamente proporcional. No Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), em São Paulo, por exemplo, cerca de 70% dos empreendimentos sobrevivem após o período de incubação. Essa é uma experiência exitosa, que deve ser replicada pelo Brasil afora.
Além das parcerias público-privadas, da Lei de Inovação, do apoio das agências de fomentos e da existência de incubadoras de empresas tecnológicas, entre outras iniciativas para o desenvolvi mento científico e tecnológico, é primordial ao Brasil uma cultura que valorize o empreendedorismo, o aporte de capital de risco e a geração de idéias inovadoras. Em países da Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, os jovens começam a aprender nas escolas e nas universidades a tomarem-se empreendedores. Têm consciência que o uso do conhecimento pode ser transformado em empreendi mentos e empresas inovadoras.
O nosso estudante ainda busca como única alternativa o emprego, de preferência numa grande empresa. Isso vem de infância.O país, a família e a sociedade almejam isso para o futuro desse jovem. Não há nenhum incentivo para um outro modelo de sucesso.
Para acelerar o desenvolvimento de uma nação e, conseqüente mente, qualificar as gerações futuras a serem empreendedoras e encorajá-las nos seus sonhos inovadores, é necessário apoiá-las para que percebam que a sua idéia e o seu trabalho podem se transformar em uma grande empresa.

Cláudio Rodrigues é presidente do Conselho Deliberativo do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec)