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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Ciência e Arte nas Férias: Rodrigues e Rittner mostram bastidores no IQ

Publicado em 19 janeiro 2010

Por Carmo Gallo Netto

Destinado a estudantes do ensino médio de escolas públicas de Campinas e região e organizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da Unicamp, a oitava edição do programa Ciência e Arte nas Férias teve inicio no dia 8 e se estenderá até 5 de fevereiro. Durante quatro semanas os 120 alunos selecionados terão acesso a laboratórios de pesquisa e a atividades promovidas pelo Instituto de Artes da Universidade. Os professores José Augusto Rodrigues e Roberto Rittner, do Instituto de Química da Unicamp, no programa há vários anos, consideram que constitui certa obrigação da Universidade abrir as portar para esses alunos. Entendem que a iniciativa é um dos meios de a instituição contribuir para a sociedade.

Para Rittner ganham os escolares e os alunos iniciação cientificam e de pós-graduação, que atuam como monitores em uma cooperação que considera muito saudável. Rodrigues acrescenta ainda que os monitores aprendem a dar aulas práticas, que julga extremamente importante do pondo de vista didático. Diz que esse contato possibilita uma percepção da situação do ensino secundário, à vista dos conhecimentos e deficiências revelados pelos participantes.

Segundo Rittner,"é muito comum ter de ensinar a esses alunos elementos básicos de química. Aqui eles aprendem para que serve a estequiometria, como se prepara uma solução, realizam medidas de absorção e estabelecem sua relação com a concentração. E quando os experimentos não dão certo aprendem a analisar porque isso ocorreu". Conta que em seu laboratório os alunos fazem uma reação que dá origem a dois compostos orgânicos, um amarelo e outro vermelho, que diferem ligeiramente na estrutura. Depois usam técnicas para separá-los e são questionados sobre as razões que levam às diferenças de cor. Nesse processo aprendem a usar técnicas e equipamentos adequados como o espectrôfotometro.

Rodrigues esclarece que em seu laboratório os alunos realizam essencialmente preparações de soluções, realizam reações, utilizam cromatografia para extração, com técnicas que considera extremamente básicas e simples, mas que não são apresentadas no ensino médio. Para Rodrigues o evento serve de elemento de apoio aos secundaristas e a seus professores. Acrescenta que "como químicos temos a motivação para a química em si mesma. Procuramos desmistificar a imagem negativa, adquirida através dos meios de comunicação, que a sociedade tem em geral dela como atividade suja, poluente e contaminante".

Segundo os docentes, os alunos do ensino médio que optam por química no programa Ciência e Arte nas Férias e o fazem por uma curiosidade muito grande pelo laboratório, pelo experimento e atraídos pelo visual, mesmo porque muito raramente têm oportunidades de exercerem atividades práticas em suas escolas. Essa curiosidade é ativada pelo que leem nos jornais, veem na televisão, na internet e no cinema. A química atrai porque possibilita alterações na matéria, diferentemente do que ocorre em outras áreas, como a da matemática, por exemplo, afirmam eles.

Rittner constata que, em decorrência da experiência vivida na universidade, certo número de participantes do programa se motiva para o curso de química ou mesmo para o vestibular em outros cursos. Além disso, levam para os colegas e para os professores de suas escolas as experiências vividas na Universidade. Esclarece que os custos do programa são cobertos pela Unicamp, mas a Fapesp fornece parte dos recursos, o que evidencia a importância da iniciativa.

Os docentes em uníssono lamentam que não hajam mais laboratórios envolvidos no programa e que o tempo de permanência dos alunos seja pequeno, de apenas quatro semanas. Mas ressalvam que calendário do programa coincide com o período de férias de boa parte dos docentes e que a ampliação do tempo de atividades poderia levar à colisão com as atividades prioritárias da universidade. Mesmo assim, acham que deveria haver uma ação mais ampla e efetiva dos vários setores dirigentes da instituição para a conscientização e motivação de maior número de docentes.

Monitoras

Gabriela Fantinato Pereira, aluna do quarto ano do curso de graduação em química e de iniciação cientifica no laboratório do professor Roberto Rittner, monitora há três anos o Ciência e Artes nas Férias e atende os três participantes do programa que estão em sua unidade. Ela diz que precisa ensinar aos alunos os cálculos básicos em química, mesclando sempre teoria e prática para os alunos não fiquem entediados e ainda porque, "a prática permite não só fixar a teoria mas principalmente evidencia sua utilização ".

Ela esclarece que além de aprenderem cálculos simples que não viram na escola, os alunos são colocados em contato com programas de computador, utilizam espectrofotômetros para medir a absorbância por amostras dos dois compostos orgânicos coloridos que obtiveram e separaram em laboratório.

No laboratório do professor José Augusto Rodrigues, a monitoria dos visitantes está a cargo de Dávila de Souza Zampieri, graduada em química na Universidade Federal do Ceará e que está prestes a concluir sua tese de doutorado na Unicamp, e que participa do programa pelo terceiro ano consecutivo.

Ela confessa que sua grande motivação é mostrar aos alunos a química orgânica que considera a química da vida, de forma que sejam levados a perceber a importância do desenvolvimento de uma química verde, de uma química que se preocupa com o meio ambiente. Como recurso ela os leva a realizar a hidrolise de ésteres utilizando musa paradisíaca, que contem uma bioenzima. Acontece que a musa paradisíaca é uma espécie de banana. Ela acredita que os jovens participantes não esquecerão o que aprenderam no laboratório junto a pesquisadores e o significado das pesquisas que lá se realizam. Entusiasmada, conclui: "A minha motivação é que eles se interessem e sigam a carreia de químico e se isso acontecer acho que vou ter possibilitado alguma coisa de bom".