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Publicado em 24 janeiro 2020

Produção de vídeos da revista Pesquisa Fapesp completa 10 anos

Em 25 de novembro de 2009, Pesquisa FAPESP inaugurou seu canal no YouTube, colocando no ar cinco vídeos simultaneamente. Um deles era uma breve fala do botânico Marcos Buckeridge, da Universidade de São Paulo (USP), sobre a sucuuba (Himatanthus sucuuba), árvore da Amazônia que sobrevivia a alagamentos constantes de até cinco meses ininterruptos, apresentada em uma reportagem publicada no mesmo mês na revista. Os outros quatro eram produções externas: dois tratavam de nanotecnologia e cosméticos; um era o primeiro capítulo do filme De olho no céu, que celebrava os 400 anos da invenção do telescópio; e o quarto apresentava um trecho de uma aula sobre o voo de insetos do entomólogo João Camargo, professor do campus de Ribeirão Preto da USP que tinha morrido naquele ano, aos 68 anos.

Ao longo de 10 anos, a revista publicou 313 vídeos sobre resultados de pesquisas, problemas ambientais, perfis de pesquisadores e debates públicos, que têm sido acompanhados pelo público e usados como material pedagógico por professores. O canal reúne cerca de 37.500 inscritos e registrou 3,2 milhões de visualizações até meados deste mês. Um vídeo publicado já no primeiro ano, Uma sociedade de formigas, acumulou 307 mil visualizações em 10 anos e segue constantemente entre os mais vistos. Em duas partes, o trabalho foi feito pela bióloga Joana Fava Alves, à época recém-formada pela USP, e retrata o comportamento e os hábitos de duas espécies de saúva, Atta sexdens rubropilosa e A. laevigata.

Inicialmente o canal veiculava vídeos feitos por pesquisadores, estudantes e também trechos de palestras: as conferências realizadas em fevereiro de 2012 no auditório da FAPESP durante o Ano Internacional da Química, e depois reunidas em um encarte especial da revista, e as da exposição Revolução genômica, complementares à exposição homônima que atraiu 150 mil pessoas de fevereiro a julho de 2008 no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e também relatadas em encarte da revista.

A produção periódica com equipes especializadas e sob a coordenação dos profissionais da revista começou em novembro de 2011, com o vídeo Fazedor de neurônios, sobre a formação de células nervosas a partir de células-tronco adultas, que tinha sido tratada na reportagem de capa da revista do mesmo mês. A partir daí, as reportagens de Pesquisa FAPESP, retrabalhadas em linguagem de vídeo, tornaram-se as principais fontes para o canal.

Uma delas, publicada em maio de 2016 com o título O ataque silencioso dos fungos, motivou uma versão em vídeo que registrou 169 mil visualizações. A reportagem da revista e o vídeo alertavam para o fato de os fungos, antes considerados geralmente inofensivos, se tornarem mais resistentes aos medicamentos usados para combatê-los.

Também com base em uma reportagem publicada na revista, em maio de 2017, a endocrinologista Berenice Bilharinho de Mendonça, professora da Faculdade de Medicina da USP, falou dos desafios de diagnosticar e tratar corretamente os distúrbios genéticos de desenvolvimento sexual. Em setembro de 2019, outro alerta: o aumento no número de insetos barbeiros, transmissores da doença de Chagas, na Grande São Paulo. Os vídeos também retratam grandes projetos da ciência brasileira. É o caso do Sirius, um conjunto de três aceleradores de partículas em fase final de construção em Campinas, interior paulista.

Com uma temática diversa, o canal da revista no YouTube apresenta problemas ambientais prementes, como o desmatamento na Amazônia, a poluição gerada pelo excesso de plástico, a erosão costeira e o desaparecimento de línguas indígenas, de primatas, de abelhas-sem-ferrão, entre outros.

Os perfis apresentam as trajetórias profissionais e as ideias de cientistas brasileiros, a exemplo do médico Anibal Faúndes, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) especializado em saúde da mulher; do arqueólogo da USP Eduardo Góes Neves, especialista em Amazônia; e do matemático Marcelo Viana, diretor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), do Rio de Janeiro.

O linguista Ataliba Teixeira de Castilho dá boas risadas enquanto fala da riqueza do português falado – em 2015, quatro anos antes, ele havia participado de outro vídeo mostrando que o português do Brasil já tinha uma identidade própria e se separava do falado em Portugal. A visão ainda hoje rende reações indignadas que tornam esse o vídeo mais comentado do canal. Em outro perfil, o físico Thoroh de Souza solta sua voz de baixo profundo para falar de sua carreira de cantor lírico e de físico especializado em grafeno, à frente do Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologias (MackGraphe) da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

O empenho na produção dos vídeos ganhou reconhecimento. O vídeo Suspenso pelo som, sobre um dispositivo capaz de erguer objetos usando levitação acústica, foi selecionado para o Imagine Science Film Festival de 2015, em Nova York. Em 2019, o perfil do infectologista Guido Carlos Levi, feito em 2016, recebeu o prêmio de melhor curta-metragem da VI Mostra VídeoSaúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro. No vídeo, escolhido entre mais de 100 trabalhos, o médico fala sobre a vacinação no Brasil.

A partir de março de 2015, os vídeos começaram a ser também postados na página do Facebook de Pesquisa FAPESP, o que permitiu maior interação com o público e ampliou a audiência. Modos de restaurar as florestas registrou 83 mil visualizações e 76 comentários no YouTube; no Facebook, foram mais de 1,3 milhão de visualizações, 32 mil compartilhamentos e quase mil comentários.

Os vídeos se mostraram também um espaço para experimentação de novas linguagens narrativas. Infográficos animados – recurso ensaiado em 2010 para explicar a produção de vasos sanguíneos pelos tumores, a chamada angiogênese – foram retomados nos últimos anos, em vista da possibilidade de explicar assuntos complexos de forma visual e didática. É também o caso do vídeo sobre fios que produzem frio ou calor sem usar eletricidade. Vale quanto pesa, sobre a nova forma de medir o quilograma, atingiu 1 milhão de visualizações e mais de 10 mil reações na página do Facebook.

Pesquisa Fapesp

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