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Ciência avança sobre parte inexplorada dos oceanos

Publicado em 07 dezembro 2014

Apesar de cobrirem 70% da superfície do planeta, os oceanos são o ecossistema menos explorado da Terra. Para cientistas, a necessidade de compreendê-los melhor é uma questão de sustentabilidade. “A exploração dos recursos marinhos aumenta cada vez mais, fazendo dos oceanos uma fonte que muitos julgam inesgotável para a satisfação de diversas demandas humanas. É preciso compreender melhor a complexidade da vida marinha para estabelecer uma relação sustentável com ela”, disse Rick Grosberg, diretor do Coastal and Marine Sciences Institute (CMSI) da Universidade da Califórnia em Davis (UCD).

Esforços para avançar no conhecimento sobre a vida marinha, correntes oceânicas e suas relações com a vida em terra firme foram compartilhados por pesquisadores dos Estados Unidos e de instituições de São Paulo na Fapesp Week California, realizada no fim de novembro nas cidades de Berkeley e Davis.

Grosberg falou sobre pesquisas com invertebrados marinhos, incluindo anêmonas, hidrozoários, ascídias e caracóis, e do uso de abordagens genômicas no estudo de suas populações. “Os trabalhos de meu grupo envolvem atividades de campo e de laboratório, com genética molecular, genética populacional e filogenia, além de uma quantidade ainda modesta de modelagem”, explicou o pesquisador.

Entre esses trabalhos estão estudos em genética da conservação de invertebrados marinhos e crustáceos de piscinas vernais (conjuntos temporários de águas formados em determinadas épocas do ano), que servem de habitat para plantas e animais. “Em menos de um século, a urbanização e a conversão agrícola destruíram 90% desses habitats”.

Pesquisadores do laboratório de Grosberg iniciaram estudos genéticos para caracterizar os efeitos do habitat na diversidade de espécies endêmicas – que ocorrem em apenas um ecossistema – de camarão girino. De acordo com o pesquisador, várias dessas espécies são agora protegidas pelo governo dos Estados Unidos em razão dos trabalhos do laboratório.

Efeitos

O objetivo agora é expandir o projeto para outras espécies simpátricas – variações genéticas de populações que habitam a mesma região geográfica, tornando-se espécies diferentes. “Também estamos examinando os efeitos das mudanças climáticas, da pesca excessiva, da poluição e da fragmentação de habitat sobre a resiliência dos recifes de coral”, ressaltou Grosberg.

Luciano Martins Verdade, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) e membro da coordenação do Programa Biota, da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp), falou sobre a importância do monitoramento da biocomplexidade em todos os ecossistemas.

“Seja no meio aquático ou terrestre, precisamos de mecanismos de monitoramento que nos permitam tomar decisões de intervenção humana para corrigir problemas gerados por pressões – como, por exemplo, de pesca excessiva ou uso de produtos agroquímicos – que contaminam o meio, mas são necessários à atividade agrícola”, considerou.

Verdade destacou em sua palestra a necessidade de o processo produtivo levar em consideração a conservação da biodiversidade. “Hoje, mais do que nunca, a paisagem em que a pesca ou a agricultura são feitas é a mesma ocupada pela diversidade biológica. O que se pretende é uma paisagem que seja de fato multifuncional, que tenha a missão de produção de espécies domesticadas, mas comporte também uma missão de conservação da diversidade biológica”.

(Agência Fapesp)