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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Ciência & Arte em sua sétima edição: experiência que se renova a cada ano

Publicado em 09 janeiro 2009

Aprendizes de cientistas e artistas chegaram ao Centro de Convenções da Unicamp no início da manhã desta quinta-feira. Vieram com uma missão definida: começarem uma experiência antecipada na vida universitária. Foram selecionados 130 alunos de um universo de 339 do Ensino Médio da região de Campinas e passarão suas férias no campus de Barão Geraldo para vivenciar experimentos em laboratórios e repartir conhecimento depois com suas instituições de ensino. Eles vieram para a sétima edição do Programa Ciência & Arte nas Férias, que acontece desde 2001. As atividades vão até 6 de fevereiro, com muitas oficinas interessantes.

A iniciativa envolve um estágio nas férias escolares de janeiro. O objetivo é trazer jovens talentos da escola pública para terem melhor acesso aos estudos na Unicamp. Ganham uma bolsa de estudos da Fapesp de R$ 100,00 e o patrocínio do Cursinho Pré-Vestibular do Anglo, renovado por mais dois anos, onde poderão estudar antes do Vestibular, isso para os alunos do terceiro colegial inseridos no programa.

Na abertura do evento, os alunos selecionados para estudar em uma das unidades de ensino e pesquisa da Unicamp foram recebidos pelo coordenador-geral da Universidade, professor Fernando Costa, pelo pró-reitor de Pesquisa, Daniel Pereira, e pelo coordenador do Programa Ciência & Arte nas Férias, Rogério Custódio. A solenidade também foi acompanhada pelo secretário municipal de Educação, Graciliano de Oliveira Neto, e pelas representantes das Oficinas Pedagógicas das Diretorias de Ensino Campinas Leste e Oeste, Elisandra Cristiane Lopes e Maria Isabel Danielle. Todos eles ressaltaram o louvável trabalho da Unicamp por encabeçar o programa que, apesar de não ser o primeiro nos país, nos moldes em que é realizado já se consolidou como experiência atestada por sua qualidade e estreita relação com a comunidade externa.

O privilégio de participar do programa, lembrado nas falas das autoridades, está no mérito dos alunos que trabalham para superar as barreiras educacionais do país. “Vocês foram escolhidos para estar aqui. Aproveitem este mês de atividades e levem esta experiência para a vida de vocês. Quem sabe não serão nossos alunos, pós-graduandos e até docentes?”, disse Daniel Pereira, cuja Pró-Reitoria organiza o programa. Segundo Fernando Costa, idealizador do Ciência & Arte nas Férias, a Unicamp já tem uma tradição de promover uma parceria com o ensino pré-universitário, tanto no ensino fundamental e médio. Relembrou alguns trabalhos importantes da Universidade desempenhados neste sentido pela Faculdade de Educação e pelos Institutos de Biologia, Física e Química. Não deixou de mencionar o grande contingente de alunos alcançados pelo evento Unicamp de Portas Abertas (UPA) e nos eventos de aprimoramento de professores da rede pública e privada, além dos cursos de atualização.

Fernando Costa contou o que provavelmente o influenciou a criar o programa: uma experiência que teve em seu pós-doutorado no exterior, quando via alunos do ensino médio interagindo com pesquisadores e aprendendo como se faziam experimentos e como se escreviam os resultados. “Considero este trabalho de suma importância e deveria se estender a outras instituições”, reforçou. “Como diretor da Faculdade de Medicina, em 1997, demos início a um programa ligado a estudantes, realizando palestras nas escolas. Já na PRP, pudemos efetivamente firmar o programa que ora tem prosseguimento e ampliação.”

Neste programa, os alunos percebem a necessidade de integração à universidade. A Unicamp abre suas portas para eles e para o ensino de ciências e artes. Mostra a sua atuação com alunos não somente da Universidade. Este evento já ocorre com sucesso em diversas universidades do mundo e coloca os alunos em contato com a pesquisa, com os pesquisadores, professores, alunos e funcionários. Aqui aprenderão a noção de produção do conhecimento e suas limitações.

Maiara Silva, de 16 anos e moradora de Campinas, estuda no Colégio Bento Quirino. Soube do programa através da professora de Educação Física. Foi selecionada e se diz bastante tranqüila para absorver esta rotina de trabalhos. Ficará na Faculdade de Engenharia Química, mas está em dúvida se fará, no futuro, Química ou Engenharia de Alimentos. É estudiosa, no entanto garante que presta muito atenção às aulas. “Vejo que a Unicamp não está longe de mim e que esta será apenas a chance de nos aproximarnos”, constatou.

Libras - Nesta edição, o programa está recebendo pela primeira vez três adolescentes surdos-mudos por causa de um projeto dirigido a esses alunos com proficiência em Libras, a linguagem dos sinais, que terão o devido acompanhamento de profissionais aptos a fazerem a comunicação com eles no estágio. Marcos Vinicius Pereira de Arruda, de 17 anos, cursará neste ano o segundo colegial na Escola Estadual João Lourenço Rodrigues, no bairro Cambuí de Campinas. Na platéia atento a todos os detalhes e orientações, Marcos teve, neste primeiro dia, a ajuda da mãe para começar as atividades. Já optou pelo futuro profissional em uma carreira que envolva ciência e tecnologia. Neste mês, no entanto, ficará sob os cuidados da Faculdade de Educação, com uma ressalva: no laboratório de informática, revelou.

Marcos encontrou aqui Cíntia Fernanda da Silva, de 18 anos, que com ele compartilha as mesmas deficiências. Ela estuda na Escola Estadual Cecília de Godoy, no Jardim Rosalina. Apesar de sentir preparada para a nova empreitada, Cíntia terá que dividir muito bem o seu tempo. Ela cuida de alguns afazeres domésticos, relata o seu pai Ideraldo, e estuda pela manhã na escola regular e ainda à tarde participa das atividades na Apascamp. À noite, estuda computação e tem assim o seu tempo completamente preenchido. Neste mês de férias na Unicamp pretende aproveitar ao máximo todas as atividades e não importa a área em que for atuar. O que ela quer é estar na Unicamp, com a qual sonha em estudar mais adiante.

Para Rogério Custódio, os alunos farão algumas descobertas e acredita que sairão da Universidade mudados pelas suas experiências. "Vocês trabalharão muito até 6 de fevereiro. Irão 'ralar' pra caramba”, advertiu o festejado coordenador do programa. É ele que conta que o programa tem atraído muitos candidatos e que os alunos retornam a suas instituições com uma bagagem a ser compartilhada, com resultados que têm comprovado o aproveitamento desses alunos.