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Cidades devem se preparar para extremos climáticos, alerta IPCC

Publicado em 31 agosto 2012

Por por Diogo Silva

Em um evento promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no Centro de Convenções Albert Einstein, em São Paulo, especialistas se reuniram para debater as principais conclusões relativas à América Latina e Caribe constantes no Relatório Especial sobre Gestão de Riscos de Extremos Climáticos e Desastres (SREX) produzido pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Entre os principais dados trazidos pelo relatório está o aumento das perdas causadas por desastres naturais no mundo nos últimos 30 anos. Os gastos passaram de alguns bilhões de dólares em 1980 para mais de 200 bilhões em 2010. No Brasil, os destaques foram para o aumento de dias e noites quentes ao longo do ano nas regiões Nordeste e Sudeste desde 1950, a frequência três vezes maior de chuva intensa na cidade de São Paulo em comparação com 70 anos atrás e a possibilidade da repetição de situações eventuais como as duas secas acompanhadas por duas cheias históricas na Amazônia.

De acordo com os especialistas, para evitar uma maior perda financeira e humana ocasionada pelo aumento da ocorrência desses extremos climáticos, a preocupação deve ir além do clima. O planejamento urbano e a preparação da sociedade como um todo para lidar com essas situações devem ser os principais aspectos a serem levados em conta.

“Os eventos climáticos em si não são a causa dos desastres, e sim, a vulnerabilidade da população à ocorrência desses fenômenos”, disse Vicente Barros, da Universidade de Buenos Aires. Carlos Nobre, Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil e coautor do trabalho, compartilhou da opinião de Barros e chamou a atenção para a necessidade de preparação das cidades para lidar com a ocorrência desses extremos. “A exposição das pessoas aos riscos climáticos está aumentando, principalmente por falta de planejamento urbano, o que faz com que a população habite encostas e outras áreas de risco”, disse Nobre.

Os pesquisadores destacaram a necessidade do desenvolvimento de mais estudos regionais para possibilitar uma melhor tomada de decisão por parte dos planejadores para evitar desastres em decorrência de extremos. Há a expectativa de que essa preocupação deva ser atendida pelo Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais, lançado pelo governo federal no início de agosto.

O Plano prevê o investimento de R$ 18,8 bilhões em obras de prevenção e reconstrução e em monitoramento da ocorrência de desastres em todo o país. Além da prevenção, o Plano tem o objetivo de garantir socorro rápido às vítimas.

Para isso, serão feitos mapeamentos e planos de intervenção para identificar moradias vulneráveis e a realização de obras de infraestrutura em mais de 820 munícipios considerados prioritários pelo alto risco de deslizamentos, enxurradas e inundações. Além disso, estão previstos investimentos para a Força Nacional de Apoio Técnico de Emergência, criada no início do ano, e para a mobilização da Força Nacional de Segurança no apoio aos estados e municípios, com o objetivo de acelerar a recuperação e socorro nas cidades afetadas.

Entre as ações previstas no plano também se destacam a melhoria do atual Sistema de Monitoramento e Alerta, com ampliação da rede de observação e da estruturação do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Centro Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (Cenad), do Ministério da Integração e a capacitação de 12 mil profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) para a formação de 30 equipes de plantão e a estruturação de hospitais de campanha e de estoques permanentes de materiais e medicamentos para atender a até três desastres simultâneos.