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Tribuna da Imprensa Livre online

Cidade: IQ desenvolve método que degrada pigmentos químicos

Publicado em 18 junho 2008

O Instituto de Química (IQ) da Unesp desenvolveu um novo método fotoeletroquímico para a degradação de corantes químicos utilizados em processos da indústria têxtil. O método possibilita a destruição dos pigmentos antes de serem lançados na natureza, evitando a contaminação de reservatórios e estações de tratamento de água.

O método promove a completa descoloração do pigmento após três horas de tratamento, além de remover adequadamente a toxicidade e a mutagenicidade do material.

O projeto coordenado pela professora Maria Valnice Boldrin Zanoni tem apoio da Fapesp e foi apresentado durante a 31ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química, que ocorreu no final de maio em Águas de Lindóia.

A próxima fase do estudo, afirma a coordenadora, será a criação de um protótipo industrial do método para a aplicação em larga escala. “Nosso método acopla técnicas eletroquímicas e fotoquímicas que promovem a degradação completa dos corantes, transformando-os em dióxido de carbono e água.”

Águas contaminadas

Segundo Maria Valnice, um dos efeitos mais preocupantes dos corantes advém dos problemas relacionados à degradação parcial e ao processo de biotransformação, pelo qual enzimas específicas ou outras reações oxidativas podem resultar em substâncias com propriedades cancerígenas.

“Nossa maior preocupação é que alguns corantes comerciais apresentam níveis elevados de atividade mutagênica. Ao serem despejados em efluentes e contaminarem águas de consumo podem promover alterações no DNA dos indivíduos, causando, comprovadamente, diferentes tipos de câncer”, afirmou a professora do IQ.

Segundo ela, além de remover e destruir os corantes presentes nas águas de efluentes e estações de tratamento, o método consegue identificar essas substâncias até mesmo na água que já está própria para o consumo. “Ainda que em baixas concentrações, há o risco de essas águas portarem derivados com propriedades danosas à saúde”, explicou.