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Jornal da USP

Ciclo terá 12 debates até 2011

Publicado em 14 novembro 2010

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Idosos do Brasil: Estado da Arte e Desafios, promovido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, em parceria com o Projeto Mais (Modelo de Atenção Integral à Saúde) do Hospital Premier, trará temas sensíveis, contemplando áreas como legislação e suporte institucional, políticas públicas, qualificação e formação profissional na área da saúde da pessoa idosa, entre outros.

O projeto Saúde, Bem-estar e Envelhecimento (Sabe), desenvolvido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), foi apresentado na primeira mesa-redonda do ciclo por Marília Louvison, da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.

Realizado com múltiplas parcerias, inclusive USP e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Sabe é um dos primeiros esforços a reunir informações sociais, econômicas, de saúde, redes de apoio e acesso aos serviços públicos, entre outros dados, referentes aos idosos. Foram incluídos países em estágio avançado de envelhecimento, como Argentina, Barbados, Cuba e Uruguai, além de Chile, México e Brasil, que em breve irão transpor, nessa ordem, a escala de velocidade de envelhecimento dos primeiros.

"A proporção de idosos no Brasil, que vem aumentando paulatinamente, representará 10% da população total ao terminar a primeira década do século 21", traz o estudo. Em termos absolutos, trata-se de uma população que se incrementa anualmente em meio milhão de idosos ao longo da primeira década deste século e de mais de 1 milhão ao chegar a 2020, segundo o texto.

O estudo destaca a particularidade regional do envelhecimento na América Latina. Ao contrário da América do Norte e da Europa, em que o desenvolvimento social e econômico já estava consolidado quando começou o processo de envelhecimento demográfico, na América Latina o conjunto da população envelhecerá em meio a desigualdades sociais e econômicas. A publicação está disponível para download no endereço eletrônico http://hygeia.fsp.usp.br/sabe/Extras/Livro_SABE.pdf.

Além de "Políticas Públicas", tema do debate do dia 24 de novembro, o ciclo trará na sua primeira fase mesas-redondas sobre fisiologia e fisiopatologia do envelhecimento; modelos de atenção e de organização das redes de serviços e linhas de cuidados, financiamento, estrutura, processos e impactos; formação e capacitação profissional; sistema de informação; trabalho, renda, previdência e assistência social; empreendedorismo, lazer, entretenimento, cultura e arte; aspectos urbanos e habitacionais.

O ciclo teve seu ponto de partida num projeto realizado há três anos pelo Projeto Mais, idealizador das sessões cinematográficas "Aprendendo a Viver, Aprendendo a Morrer", realizadas na Sala Cinemateca de São Paulo. O grupo é também o responsável por idealizar o Prêmio Averróes, que este ano premiou o cientista Luiz Hildebrando Pereira da Silva, professor aposentado da USP e que no momento dirige o Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais de Rondônia. O pesquisador recebeu o prêmio por seus estudos sobre genética na área de imunologia e epidemiologia da malária.

"Hildebrando é um exemplo de aposentado que contribui significativamente para a sociedade, em particular para o desenvolvimento científico", justifica David Braga Júnior, coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa do Projeto Mais.

Segundo Braga, a segunda fase do ciclo de debates do IEA abordará os desafios que a sociedade brasileira deve enfrentar com relação a problemas sérios como a iatrogenia, por exemplo. "Iatrogenia é o uso de medicamentos, ou um conjunto de procedimentos, em quantidades e qualidade inadequadas, causando outros problemas de saúde e até a morte. Os medicamentos são feitos para adultos ou jovens. Mas são ministrados a idosos, trazendo consequências graves", afirma Braga.