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Ciclo da violência pode ter raiz nos castigos físicos na infância

Publicado em 11 julho 2012

Por Agência Fapesp

Pesquisa realizada pela FAPESP em 11 capitais brasileiras revelou que mais de 70% dos 4.025 entrevistados apanharam quando crianças. Para 20% deles, a punição físicaocorreu de forma frequente – uma vez por semana ou mais. A palmada, entretanto,não foi o castigo físico entre os que apanharam todos os dias. A agressão,segundo os relatos, variava entre castigos com vara, cinto, pedaço de pau eoutros objetos capazes de provocar danos graves.

Segundo Nancy Cardia, vice-coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) daUniversidade de São Paulo (USP), o objetivo da pesquisa foi examinar como aexposição à violência afeta as atitudes, normas e valores dos cidadãos. "Apergunta sobre a punição corporal na infância se mostrou absolutamente vitalpara a pesquisa. Ao cruzar esses resultados com diversas outras questões,podemos notar que as vítimas de violência grave na infância estão mais sujeitasa serem vítimas de violência ao longo de toda a vida”, disse Cardia.

Osentrevistados que relataram ter apanhado muito quando criança foram os que maisescolheram a opção "bater muito” em seus filhos caso esses apresentassem maucomportamento. Também foram os que mais esperariam que os filhos respondessemcom violência caso fossem vítimas de agressão física na escola. Segundo ospesquisadores, os dados sugerem um ciclo perverso de uso de força física queprecisa ser combatido.

A pesquisamostrou também que a percepção da população sobre crescimento da violênciadiminuiu, passando de 93,4% em 1999 para 72,8% em 2010. No último levantamento,porém, foi maior a quantidade de entrevistados que disse ter presenciado emseus bairros uso de drogas, prisão, assalto e agressão.

Olevantamento foi feito em 2010 e divulgado no mês de junho pelo Núcleo deEstudos da Violência da USP, um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID)apoiado pela FAPESP. Os resultados foram comparados com dados semelhantes de1999, também coletados pela instituição. Embora o percentual dos que afirmamter sofrido punição física regular tenha diminuído na última década – passandode um em cada quatro entrevistados para um em cada cinco –, ainda é consideradoalto.

Sugestão defontes:

Fundação deAmparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

(11) 3838-4000

Instituto dePsicologia (IP)

Universidade de Brasília (UnB)

(61) 3107-6820 / 6821 / 6922 / 6964

Núcleo deEstudos da Violência (NEV)

Universidade de São Paulo (USP)

(11) 3091-4951

Fonte: Agência Fapesp/Brasil