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Chuvas pesadas serão frequentes em São Paulo, diz Fapesp

Publicado em 26 fevereiro 2015

A variação climática observada na Região Metropolitana de São Paulo, caracterizada por chuvas intensas concentradas em poucos dias, espaçadas entre longos períodos secos e quentes, devem se tornar tendência ou até se agravar nas próximas décadas. A conclusão é de um estudo divulgado nesta quinta-feira pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Estamos observando na região metropolitana de São Paulo um aumento na frequência de chuvas intensas, deflagradoras de enchentes e deslizamentos de terra, distribuídas entre períodos secos que podem se estender por meses", disse José Antônio Marengo Orsini, pesquisador do Inpe e atualmente no Cemaden.

“Os modelos climáticos projetam que esses eventos climáticos extremos passarão a ser cada vez mais comuns em São Paulo e em outras cidades do mundo e podem até mesmo se intensificar, se forem mantidos o atual ritmo de urbanização e de emissão de gases de efeito estufa”, disse o pesquisador.

De acordo com a Fapesp, os pesquisadores analisaram a variabilidade do clima da região metropolitana nos últimos 80 anos por meio de dados diários de chuva referentes ao período de 1933 a 2011. O levantamento indicou que, desde 1961, ocorreu um aumento significativo no volume total de chuva durante a estação chuvosa, que pode estar associado à elevação na frequência de dias com chuva pesada e à diminuição de dias com precipitações leves na cidade.

Segundo os dados, enquanto os dias com chuva pesada – acima de 50 milímetros – foram quase nulos nos anos 1950, entre 2000 e 2010 eles ocorreram de duas a cinco vezes por ano na cidade de São Paulo.

José Antonio Marengo Orsini afirmou que as alteração no regime de chuvas em São Paulo podem ser decorrentes da variabilidade climática natural, mas podem também estar relacionadas ao crescimento da urbanização, em especial nos últimos 40 anos. Com o aumento da urbanização, o solo da região – antes exposto e com vegetação remanescente da Mata Atlântica – foi sendo cada vez mais coberto por materiais como asfalto e concreto, que absorvem muito calor e não retêm umidade.

Para avaliar as tendências no padrão de chuva até 2100, os pesquisadores utilizaram a técnica downscaling, que considera as emissões de gases estufa para fazer previsões climáticas mais detalhadas.

De acordo com a Fapesp, o resultado das projeções indica ue aumentará a frequência e a intensidade de chuvas extremas na região metropolitana de São Paulo e nas regiões norte, central e leste do estado nas próximas décadas. Por outro lado, as projeções também sugeriram um aumento significativo na frequência de veranicos nessas mesmas regiões, sugerindo que as chuvas extremas serão concentradas em alguns dias e ocorrerão entre períodos de seca mais longos

O levantamento foi realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em colaboração com colegas das Universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp), de Taubaté (Unitau) e dos Institutos Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e de Aeronáutica e Espaço (IAE).

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