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Agência C&T (MCTI)

Chuvas de São Paulo podem ajudar a entender desastres, diz secretário

Publicado em 16 agosto 2012

O estudo dos impactos das chuvas em São Paulo pode contribuir para a compreensão dos desastres naturais, avaliou nesta quinta-feira (16) o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Carlos Nobre. Ele participou do workshop Gestão dos Riscos dos Extremos Climáticos e Desastres na América Central e na América do Sul - O que podemos aprender com o Relatório Especial do IPCC sobre Extremos?, na capital paulista.

Em sua exposição, Nobre tratou dos impactos regionais e concluiu que o vetor exposição e vulnerabilidade (que leva em conta a localização e as condições da população que vive ali) ainda é o conceito mais confiável para explicar o aumento dos prejuízos e do impacto econômico e social dos desastres naturais. Ele apresentou dados de um relatório concluído em 2011 - e que, portanto, não está incluído no estudo do IPCC - com informações sobre a cidade de São Paulo.

"Esse estudo do impacto do clima mostra que os extremos de chuva em São Paulo aumentaram muito nas últimas cinco a sete décadas", relatou. "Hoje nós temos três vezes mais chuvas intensas que causam desastres naturais do que 70 anos atrás. Então a cidade seria um excelente laboratório para termos esse tipo de estudo [modelo] dos desastres naturais e o impacto social devido ao aumento documentado cientificamente desse tipo de extremo físico, exposição e vulnerabilidade."

Participam do evento, para repercutir o documento do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, pela sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas, especialistas de vários países latinoamericanos, tomadores de decisão, líderes empresariais, acadêmicos, pesquisadores e organizações da sociedade civil cujas políticas ou programas possam ser afetados por eventos climáticos extremos. O encontro é realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI), em parceria com o IPCC, o Overseas Development Institute (ODI) e a Climate and Development Knowledge Network (CDKN), ambos do Reino Unido, e apoio da Agência de Clima e Poluição e do Ministério de Relações Exteriores da Noruega.

O SREX (na sigla em inglês), Relatório Especial sobre Gestão de Riscos e Eventos Extremos e Desastres para o Avanço e Adaptação às Mudanças Climáticas, foi preparado durante dois anos por 220 autores de 62 países, envolvendo os grupos de trabalho 1 e 2 do painel intergovernamental. 

Lastro

Na cerimônia de abertura dos trabalhos, o presidente da Fapesp, Celso Lafer, ressaltou que as "negociações [em nível global] do meio ambiente só poderão ser apropriadamente encaminhadas se tiverem o lastro do conhecimento de qualidade", para descrever a perspectiva do evento. Entre os painelistas de abertura, representantes de órgãos de diversos países: José Marengo, do Comitê Organizador IPCC-SREX Regional Outreach Meeting 2012 e do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) do Inpe; Ursula Oswald Spring, da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam); e Mário Núñes, do Centro de Investigação do Mar e Atmosfera (Cima)/Universidade de Buenos Aires (UBA). Além de Carlos Nobre, o governo federal foi representado pelo secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Carlos Klink.

O worshop de São Paulo faz parte de uma série de eventos, com caráter regional, realizados em 2012 em Dakar (Senegal), Adis Abeba (Etiópia), Bangcoc (Tailândia), Nova Delhi (Índia), Pequim (China) e Havana (Cuba). Todos têm o objetivo de tornar o conteúdo do relatório mais acessível à sociedade e aos tomadores de decisão, e promover a discussão e as conexões entre as diversas partes envolvidas. O encontro na capital paulista segue até esta sexta-feira (17).  

 

 

Texto: Cris Antunes - Ascom do MCTI, com informações adicionais da Fapesp