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A Crítica (MS) online

Chikungunya pode afetar sistema nervoso central, diz estudo

Publicado em 30 agosto 2020

Além da Covid-19 o Mato Grosso do Sul deve se atentar as demais doenças que existem e estão registrando casos no Estado. De acordo com o boletim epidemiológico de Chikungunya divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), até o dia 5 de agosto o município com maior índice de casos confirmados da doença é Dourados, a 229 km de Campo Grande, com 48 casos.

Os demais municípios com casos confirmados são Corumbá (1), Rochedo (1), Bonito (1), Campo Grande (9), Três Lagoas (1), Ivinhema (1), Anaurilândia (3), Amambai (1). Ainda de acordo com os levantamentos as mulheres são as mais atingidas com 56,7% dos casos no Estado.

Estudos sobre a doença são realizados constantemente, em um novo realizado sobre os efeitos no corpo humano, apontou que além dos já conhecidos danos nas articulações, a doença pode infectar também o sistema nervoso central e comprometer funções motoras.

A pesquisa foi realizada por 38 pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Saúde, do Imperial College de Londres e da Universidade de Oxford.

O trabalho teve como base os dados clínicos, epidemiológicos e amostras laboratoriais de pacientes que morreram durante o maior surto da doença nas Américas, no Ceará, em 2017. Na época, foram registrados 105 mil casos suspeitos e 68 mortes.

Os pesquisadores verificaram os prontuários médicos e observaram que a maioria dos mortos durante o surto no Ceará apresentou síndrome neurológica, ou seja, lesões no sistema nervoso central que podem comprometer as principais funções motoras.

Das 36 amostras de tecido cerebral de vítimas da doença no Ceará, quatro delas, 11% continham o microrganismo.

Os pesquisadores também encontraram padrões inesperados para epidemias causadas pelo arbovírus, como o chikungunya: idosos e crianças, por exemplo, não são os grupos etários com maior risco de morte. No surto de 2017, a maioria das vítimas tinha 40 anos ou mais.

A pesquisa contou com apoio da Fapesp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A chikungunya é transmitida por meio da picada de fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. A maioria dos casos da doença é caracterizada pela forma aguda da infecção, com febre alta, dores de cabeça, nas articulações e nos músculos, além de náusea, fadiga e erupções na pele, por três semanas após a infecção.