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CNN (Brasil)

Chikungunya pode afetar sistema nervoso central, diz estudo

Publicado em 25 agosto 2020

Por CNN

Um novo estudo sobre os efeitos no corpo humano do vírus chikungunya apontou que além dos já conhecidos danos nas articulações, a doença pode infectar também o sistema nervoso central e comprometer funções motoras.

A pesquisa foi realizada por 38 pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Saúde, do Imperial College de Londres e da Universidade de Oxford.

O trabalho teve como base os dados clínicos, epidemiológicos e amostras laboratoriais de pacientes que morreram durante o maior surto da doença nas Américas, no Ceará, em 2017. Na época, foram registrados 105 mil casos suspeitos e 68 mortes.

Os pesquisadores verificaram os prontuários médicos e observaram que a maioria dos mortos durante o surto no Ceará apresentou síndrome neurológica, ou seja, lesões no sistema nervoso central que podem comprometer as principais funções motoras.

“As dores articulares eram bem conhecidas e estão relacionadas com a denominação da doença, que no idioma suaíli significa aquele que se dobra [de dor]. No entanto, identificamos também graves problemas no sistema nervoso”, disse William Marciel de Souza, pesquisador da USP e coautor do artigo publicado na revista Clinical Infectious Diseases, à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa de SP).

Das 36 amostras de tecido cerebral de vítimas da doença no Ceará, 4 delas (11%) continham o microrganismo. 

“A presença do vírus dentro do cérebro de infectados significa uma caracterização bem clara de que ele consegue ultrapassar a barreira hematoencefálica – que protege o sistema nervoso central – e tem capacidade de causar uma infecção no cérebro e na medula espinhal”, explica o pesquisador.

A chikungunya é transmitida por meio da picada de fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. 

A maioria dos casos da doença é caracterizada pela forma aguda da infecção, com febre alta, dores de cabeça, nas articulações e nos músculos, além de náusea, fadiga e erupções na pele, por três semanas após a infecção. 

Grupos mais vulneráveis

Os pesquisadores também encontraram padrões inesperados para epidemias causadas pelo arbovírus, como o chikungunya: idosos e crianças, por exemplo, não são os grupos etários com maior risco de morte. No surto de 2017, a maioria das vítimas tinha 40 anos ou mais.

“Normalmente, relacionamos esse vírus a hospitalizações e óbito de pacientes mais idosos ou crianças. Porém, foi observado que a maioria [mais de 60%] das pessoas infectadas pelo chikungunya que apresentou infecção no sistema nervoso central e foi a óbito era adulta”, relata Souza.

“A investigação mostra ainda que pacientes com diabetes parecem morrer com frequência sete vezes maior durante as fases aguda e subaguda da doença [entre 20 e 90 dias após serem infectados] que indivíduos sem a comorbidade”, completou.

A pesquisa contou com apoio da Fapesp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

(Com informações da Agência Fapesp)