Notícia

Outras Palavras

Chicungunha, 10 anos: pesquisadores estudam surtos (5 notícias)

Publicado em 27 de novembro de 2023

Uma pesquisa coordenada pela médica Ester Sabino, da Universidade de São Paulo (USP), ao lado de acadêmicos de outros países, tenta decifrar as características geradoras das epidemias do vírus chicungunha. Transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus , a doença já registrou sete surtos desde que foi introduzida no Brasil, em 2014. Em dois artigos publicados em revistas internacionais, os pesquisadores concluem que o período mais quente e chuvoso na maior parte do país, entre fevereiro e junho, é o momento mais corriqueiro dos surtos. Além disso, parece haver um padrão de imunização coletiva em locais atingidos pela doença, uma vez que o fenômeno dificilmente se repete em um mesmo território.

A pesquisa também relata que cerca de 60% dos municípios brasileiros já tiveram algum surto de chicungunha, indicativo de que ainda teremos outros, como provavelmente ocorre em 2023, ainda que não esteja devidamente mapeado. Outro dado preocupante é que o patógeno parece se adaptar à evolução das capacidades de defesa do organismo das pessoas infectadas. “Vimos alterações genéticas que, em outros vírus, já foram associadas ao aumento da capacidade de replicação e de adaptação ao hospedeiro”, falou o virologista Luiz Alcântara, pesquisador do Instituto René Rachou, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Minas Gerais, à Revista Fapesp

No total, o Brasil já registrou 1,2 milhão de casos e cerca de mil mortes por chicungunha, doença de características similares à dengue. Mulheres, crianças e idosos são o público mais atingido, o que sugere um caráter doméstico de sua proliferação.