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Informe MS

Chave de ouro

Publicado em 24 novembro 2008

A primeira fase do Programa Biota-Fapesp foi concluída e o produto final é o livro Diretrizes para Conservação e Restauração da Biodiversidade do Estado de São Paulo, que será lançado nesta segunda-feira (24/11), a partir das 16h30, no Instituto de Botânica, avenida Miguel Stéfano 3.031, Água Funda, em São Paulo.

Edição conjunta da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, a obra apresenta e discute os 27 mapas temáticos e os três mapas-síntese elaborados durante uma série de workshops que reuniu, no decorrer de 18 meses, cerca de 160 biólogos, agrônomos, engenheiros florestais e outros especialistas.

Os mapas permitem a definição de estratégias para a conservação da biodiversidade remanescente no território paulista e para a restauração dos corredores ecológicos interligando os fragmentos naturais na paisagem. De caráter institucional, o livro terá tiragem de 2,5 mil exemplares, que serão doados para universidades e instituições de pesquisa.

Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp, a obra é um excelente exemplo da aplicação da pesquisa científica em problemas urgentes do Estado de São Paulo.

"O Programa Biota-Fapesp demonstra como se pode criar boa ciência e atender a necessidades relevantes da sociedade. O livro testemunha essa conexão entre a ciência e sua aplicação. Mas o programa tem muitos outros resultados de impacto, como as legislações de zoneamento ambiental e de zoneamento para cana-de-açúcar recentemente anunciadas", disse à Agência Fapesp.

De acordo com o coordenador do programa, Ricardo Ribeiro Rodrigues, que é professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), a construção do mapa de áreas prioritárias de conservação e restauração da biodiversidade se destinava a orientar políticas públicas – objetivo que vinha sendo cumprido mesmo antes da publicação do produto final.

"Já houve uma série de aplicações dos mapas produzidos pelo Biota, sustentando políticas públicas. A mais recente consistiu em fornecer à Secretaria de Agricultura uma ferramenta para o zoneamento agroambiental para o setor sucroalcooleiro, o primeiro adotado por um estado a partir de parâmetros hidrográficos, físicos, topográficos e climáticos", disse Rodrigues.

Em abril, uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente determinou que a autorização para supressão de vegetação nativa em território paulista deverá se basear nas categorias de importância para a restauração definidas no mapa "Áreas Prioritárias para Incremento para Conectividade".

Em outubro de 2007, três mapas temáticos elaborados com dados científicos do Biota-Fapesp foram incorporados pela secretaria para subsidiar ações de planejamento, fiscalização e recuperação da biodiversidade.

Outro exemplo de aplicação ocorreu em setembro do mesmo ano, quando o Biota-Fapesp iniciou uma parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, para desenvolver ferramentas que garantam a qualidade dos dados gerados pelos sistemas de monitoramento do sistema aquático paulista.

"Essas resoluções e indicações mostram que o programa está cumprindo seu papel e que os mapas estão sendo usados. Mas ainda não se trata de leis. De agora em diante, o objetivo é que a equipe do Biota-Fapesp atue de forma integrada com o estado na elaboração da legislação. A tendência, na próxima fase do programa, é aperfeiçoar essas análises, incluindo a questão da modelagem. Temos planos para a realização de um evento de reflexão sobre os dez anos do programa, no qual serão discutidos os rumos da segunda fase do programa", disse Rodrigues.

Fonte: Agência Fapesp