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Chapada Diamantina em três perspectivas

Publicado em 26 dezembro 2005

Por Por Thiago Romero
Agência FAPESP - "A Chapada Diamantina retrata a história da colonização do Brasil e por isso é considerada uma dos patrimônios ambientais mais importantes do país." A afirmação é do geólogo Wilson Teixeira, diretor da Estação Ciência da Universidade de São Paulo (USP), que acaba de lançar o livro Chapada Diamantina - Águas no Sertão.
A obra, que registra parte do conhecimento adquirido a partir de pesquisas científicas realizadas na região, é o segundo volume da série Tempos do Brasil, da Editora Terra Virgem. A coleção aborda os patrimônios naturais e culturais brasileiros com foco na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável.
"A intenção é apresentar um amplo resgate histórico da Chapada Diamantina, no sertão da Bahia, com base nas perspectivas geológica, biológica e humana", disse Teixeira à Agência FAPESP. "Aquela paisagem magnífica é vista sob outros prismas, desde os aspectos da geologia do local até a colonização do homem, passando por toda a biodiversidade que se formou ao longo dos anos." Ilustrado por belas fotos de Roberto Linsker, que incluem de imagens aéreas do ecossistema a fotografias microscópicas de pequenos animais, o livro traz ainda muitos gráficos, mapas e ilustrações de época. Dados interessantes sobre a região são revelados, como o das feições da era glacial ainda preservadas. "A Chapada tem contrastes geológicos muito marcantes e isso instiga as pessoas a visitar esse que é um dos principais destinos turísticos brasileiros", conta Teixeira.
O volume está dividido em três eixos principais. O primeiro, Caminhos do tempo geológico, convida o leitor a uma viagem aos primórdios evolutivos da Terra, enquanto Caminhos do tempo biológico se traduz em um passeio pela flora e fauna da região. De acordo com a paisagem, mudam as cores e as formas.
No capítulo Caminhos do tempo humano o autor refaz o percurso histórico dos bandeirantes, a corrida do ouro e a posterior descoberta dos diamantes, passando pela decadência dessas atividades no início do século 20 até chegar aos dias atuais.
"Essas três vertentes, apresentadas nas três partes do livro, pretendem mostrar ao leitor a grande diferença existente entre as dimensões do tempo. O geológico é contado há bilhões de anos, enquanto o biológico e o humano se aproximam mais da civilização contemporânea", explica Teixeira.
Mais informações: http://www.terravirgem.com.br/