Notícia

Jornal de Brasília

Chance de cura para diabéticos do tipo 1

Publicado em 19 novembro 2002

Os pacientes com diabete tipo 1 ganham uma boa notícia e podem se animar com uma nova esperança de cura, graças um experimento pioneiro no Brasil conduzido no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). Em oito anos de estudos, uma equipe de dez pesquisadores aprimorou as formas de isolar e purificar ilhotas pancreáticas - estruturas que contêm as células beta responsáveis pela produção da insulina - de doadores cadáver, para repor essa substância ausente em pacientes com diabete do ripo 1. Animados com os resultados obtidos no exterior em humanos e com ratos de laboratório, os cientistas brasileiros esperam iniciar os implantes em humanos nos próximos meses. "É um processo complicado, de tecnologia sofisticada, e o Brasil agora tem a estrutura ideal para iniciar os testes com humanos em breve," disse a professora titular colaboradora de bioquímica, Anna Carla Goldberg, envolvida na pesquisa. A técnica envolve o processamento do pâncreas por meio da digestão com enzimas especiais, a fim de separar as ilhotas, que representam de 1% a 2% do órgão. Depois de isoladas e testadas para a funcionalidade, as ilhotas são implantadas no fígado do paciente por meio da corrente venosa (veias). O implante, segundo Goldberg, não afeta a função hepática e estimula a produção da insulina. "Seria muito difícil introduzir as ilhotas pulo pâncreas e no fígado conseguimos o mesmo objetivo," afirmou a pesquisadora. A primeira fase de testes com humanos envolverá 18 pacientes com um tipo mais severo da diabete do tipo 1 e que necessitam de várias injeções de insulina diárias. "Já temos a autorização do ministério e os resultados com humanos podem sair em poucos meses," conta Goldberg. "Nossa meta é curar pessoas com a diabete do tipo 1." O trabalho é desenvolvido na Unidade de Ilhotas Pancreáticas Humanas, do Instituto de Química da USP, e é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pela USP e pelo Hospital Israelita Albert Einstein.