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O Povo

Cerrado e o potencial químico

Publicado em 17 julho 2011

Mônica Pileggi da Agência Fapesp

O potencial químico e farmacológico do Cerrado, embora sabidamente rico, ainda é pouco explorado e estudado. E o interesse da comunidade científica é ainda maior diante do cenário de desmatamento e da perda de biodiversidade do bioma, que ocupa cerca de 23% do território brasileiro.

Foi o que afirmou o professor Fernando Batista da Costa, do Laboratório de Farmacognosia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), durante conferência na 63- Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Goiânia (GO).

Costa falou sobre a diversidade química, caracterizada por substâncias produzidas por animais, plantas, insetos e microrganismos presentes no Cerrado. "Essas substâncias têm um potencial de impacto muito forte em várias áreas, como agropecuária e as indústrias farmacêutica e de cosméticos".

Em sua apresentação, o pesquisador apresentou resultados parciais do projeto "Potencial químico e farmacológico de espécies da família Asteraceae", apoiado pela Fapesp na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular.

"Estudos preliminares realizados por nosso grupo de pesquisas revelaram três plantas medicinais promissoras da família Asteraceaecom potencial farmacológico: Smallanthus sonchifolius (yacon),, Tithonia diversifo-lia (margaridão) e Dasyphyl-lum brasiliense (espinho-agulha)", disse o cientista.

Costa relatou a descoberta de duas novas substâncias no margaridão, a criação de uma biblioteca com cerca de 120 substâncias pura isoladas - a maioria do Cerrado - e a ação anti-inflamatória dos fenóis por meio de estudos realizados em um planta de uso popular, o espinho-agulha.

"A diversidade química da região é muito rica. Precisamos olhar para o Cerrado", afirmou. O grupo de Costa pretende continuar o estudo multidisciplinar com o objetivo de obter perfis metabólicos de diferentes extratos da três espécies, isolar, identificar e quantificar diferente; classes de micromoléculas.

"Com o material obtido serão feitos ensaios anti-inflamatórios in vivo e in vitrc em diferentes alvos moleculares e celulares para investigar seus mecanismos de ação", disse. Os pesquisadores também pretendem levantar dados sobre o grau de toxicidade dessas plantas.

A 63 â Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) ocorreu na Universidade Federal de Goiás (UFG). Foram apresentados quase 6 mil trabalhos, 61 conferências e 80 mesas-redondas, no evento com o tema "Cerrado: Água, alimento e energia".

A abertura da reunião teve a presença de Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, Edward Brasil, reitor da UFG, Marconi Perillo, governador do estado, Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, presidente da SBPC, e de outras autoridades e pesquisadores.