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Cérebros favoráveis à depressão

Publicado em 26 janeiro 2010

Quais são as características moleculares que fazem com que o cérebro de uma pessoa seja mais suscetível à ansiedade e à depressão e menos propenso a responder ao tratamento com medicamentos?

Um novo estudo, publicado pela revista Neuron, tenta responder à questão e abrir novos caminhos para o desenvolvimento de estratégias mais eficientes para o tratamento da depressão, um dos principais problemas de saúde pública em todo o mundo.

Embora mecanismos cerebrais associados com a depressão e com a ansiedade não sejam totalmente conhecidos, pesquisas recentes têm indicado o papel em distúrbios depressivos de uma combinação de eventos estressantes com fatores biológicos predispostos.

Os medicamentos antidepressivos mais populares, com os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), funcionam ao aumentar os níveis do neurotransmissor serotonina no cérebro.

"Infelizmente, mais da metade de todos os pacientes com depressão não responde ao primeiro tratamento medicamentoso. Por conta disso, é fundamental tentar esclarecer a natureza exata tanto dos fatores de predisposição da depressão como dos mecanismos por trás da resistência ao tratamento", disse René Hen, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, principal autor da nova pesquisa.

Estudos anteriores em humanos indicaram que a regulação de receptores de serotonina pode estar relacionada com a depressão e com a resposta ao uso de antidepressivos.

Os receptores 5-HT1A são encontrados em neurônios de serotonina, nos quais inibem a liberação da molécula neurotransmissora, e em áreas específicas que recebem a inervação serotonérgica, os heterorreceptores.

Segundo os autores do estudo, os autorreceptores são críticos para estabelecer o "tom serotonérgico" no cérebro. Uma alteração genética que pode regular os níveis dos receptores 5-HT1A foi relacionada à suscetibilidade à depressão e à diminuição na resposta a tratamentos medicamentosos.

Hen e colegas desenvolveram um novo sistema por meio do qual se pode manipular especificamente autorreceptores sem alterar os heterorreceptores.

Em testes, camundongos com níveis mais altos de autorreceptores exibiram uma resposta psicológica abrupta ao estresse agudo, tiveram mais problemas de comportamento e não apresentaram resposta comportamental ao tratamento com antidepressivos. Quando os níveis do autorreceptor 5-HT1A foram reduzidos antes da terapia antidepressiva, os animais passaram a responder ao tratamento.

O artigo 5-HT1A Autoreceptor Levels Determine Vulnerability to Stress and Response to Antidepressants p40 (10.1016/j.neuron.2009.12.003), de René Hen e outros, pode ser lido por assinantes da Neuron em www.cell.com/neuron/abstract/S0896-6273(09)00980-5.

(Envolverde/Agência Fapesp)