Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Cérebro em evolução

Publicado em 13 setembro 2005

A evolução continua no mais importante dos órgãos do homem, o cérebro. Em dois artigos publicados na edição de 9 de setembro da Science, cientistas dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia relatam a descoberta de que dois genes ligados ao tamanho do cérebro continuam a evoluir rapidamente.
"Os resultados obtidos indicam que as principais características que definem a evolução humana, o tamanho e a complexidade do cérebro, ainda não estão completamente definidas", disse Bruce Lahn, líder da pesquisa que resultou nos artigos, em comunicado da Universidade de Chicago. "Nosso ambiente e as habilidades de que necessitamos para nele sobreviver estão mudando mais rapidamente do que imaginávamos e podemos esperar que o cérebro continue a se adaptar a tais mudanças."
Segundo Lahn, a evolução não ocorre no nível da espécie. Em vez disso, alguns indivíduos primeiro adquirem uma mutação genética específica e, como tal variante confere aos que a adquiriram uma maior chance de sobrevivência, essa acaba se espalhando pela população.
"Estamos vendo dois exemplos desse processo em plena ação. Em cada caso, trata-se da transmissão de uma nova variante genética num gene que controla o tamanho do cérebro, variante claramente favorecida pela seleção natural", afirma Lahn.
O novo estudo investigou variações em dois genes, ASPM e microcefalina, associados à microcefalia, distúrbio neurológico em que o tamanho do cérebro da criança é menor do que o normal. Os pesquisadores descobriram evidências de que os dois continuam evoluindo.
Para cada um dos genes, uma classe de variantes surgiu recentemente — em relação à história do homem moderno, que tem cerca de 200 mil anos — e tem se espalhado rapidamente, uma vez que é favorecida pela seleção natural. Ou seja, o tamanho do principal órgão humano pode diminuir, apesar de os cientistas afirmarem que mais estudos são necessários para chegar a algum tipo de conclusão nesse sentido.
Para a microcefalina, a nova variante apareceu há cerca de 37 mil anos e os cientistas calcularam que ela está presente hoje em cerca de 70% da humanidade. Para a ASPM, a nova classe surgiu há 5,8 mil anos e já está em 30% dos humanos.

Agência Fapesp