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Diário de Borborema online

Cérebro: Desligar gene pode deter desenvolvimento do câncer

Publicado em 06 setembro 2007

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, na capital paulista, podem ter encontrado uma maneira de "desligar" a formação de um tipo extremamente agressivo de câncer do cérebro. Trata-se de um gene que fica hiperativo nesses tumores: quando sua ação é bloqueada, a multiplicação desenfreada das células malignas fica comprometida, ao menos em laboratório.

Os dados ainda preliminares, mas que trazem esperança de uma futura terapia, foram apresentados por Suely Kazue Nagahashi Marie, da USP, durante o 53º Congresso Brasileiro de Genética, que acontece até hoje, em Águas de Lindóia, interior paulista. O gene em questão, conhecido como MELK, foi encontrado pela pesquisadora e seus colegas com expressão (ativação) bem acima do normal numa série de pacientes com tumores cerebrais.

Marie e seus colegas já estudaram mais de 880 tumores diferentes do sistema nervoso central, como parte do Projeto Genoma Clínico do Câncer, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Do universo estudado por eles, os piores cânceres provavelmente são os glioblastomas.

Embora vários dos pacientes da equipe estejam sendo acompanhados há quase uma década, os que têm a má sorte de ser afetados por glioblastomas morrem em menos de um ano. O grande problema desse tipo de tumor é seu potencial invasivo, explica a pesquisadora: ele toma conta rapidamente do tecido ao seu redor, deixando pouca chance de reação para o doente.

Numa abordagem já clássica nesse tipo de estudo, os pesquisadores se puseram a comparar a diferença entre a ativação de milhares de genes nos tecidos tumorais e nos tecidos saudáveis humanos. Foi aí que ficou aparente a relevância do MELK, um trecho de DNA que está ligado à proliferação das células e à chamada apoptose, ou morte celular programada. São duas características muito comuns de genes ligados ao câncer, já que as células cancerígenas têm as desagradáveis manias de se multiplicar de forma descontrolada e de não saber a hora de morrer.