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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Centros de pesquisa da região desenvolvem novo material para produção de fibra óptica

Publicado em 02 março 2003

Por Luciana Massi - Especial
Um novo método de obtenção de dispositivos cerâmicos para fusão de vidros especiais e fibras ópticas, à base de SnO2 (dióxido de estanho) foi desenvolvido em conjunto por 15 pesquisadores do Laboratório Interdisciplinar em Eletroquímica e Cerâmica (Liec) do Instituto de Química da Unesp de Araraquara, Departamento de Química da UFSCar e o Instituto de Física de São Carlos da USP. Em Araraquara, o trabalho contou com a participação dos professores José Arana Varela e Leinig Antonio Perazolli. O novo material apresenta alta resistividade química e um custo entre 20 a 40 vezes menor do que o dos materiais em uso para produzir cadinhos (recipientes utilizados em operações químicas a elevadas temperaturas). Atualmente, são usados platina, ouro e carbono na produção de cadinhos. Além da redução do custo e da alta resistência química, o novo material apresenta a vantagem de ter como matéria-prima óxidos encontrados em grande abundância no Brasil. E a produção do material envolve técnicas e temperaturas normais de produção de materiais cerâmicos. Processos como o de fusão de fibras ópticas dependem destes recipientes, pois o vidro é fundido no cadinho e esticado de modo que após o resfriamento a fibra esteja formada. Esse processo exige altas temperaturas, e o material desenvolvido pelo grupo resiste a cerca de 1200 ºC, além de apresentar alta resistividade a choques térmicos. O cadinho de SnO2 também pode ser usado no processo de crescimento de cristais semi-condutores. A partir do fato de que o óxido de estanho apresenta uma alta resistência química, não reagindo com o material a ser fundido no recipiente, o grupo desenvolveu um método de torná-lo mais denso, uma vez que o material sendo muito poroso, poderia deixar o líquido que estivesse sendo aquecido sair pelos poros. Os pesquisadores encontraram dois dopantes, que permanecem em solução sólida após sintetização (evitando contaminações), e realizaram o processo conhecido como densificação, ou seja, tornam o óxido mais denso, fechando os poros do material. O processo de produção até a patente envolveu quatro anos de pesquisa, concluída no final do ano passado. O registro da patente da nova tecnologia nacional, "Processo de obtenção de cerâmicas densas, produto resultante e uso das mesmas", foi feito pelo . Núcleo de Patenteamento e Licenciamento de Tecnologia (Nuplitec) da FAPESP — PI0203586-3. Ainda não há produção comercial desses cadinhos de SnO2. Entretanto, os cadinhos desenvolvidos pelo grupo já são usados para produção de dispositivos contendo óxidos de chumbo e na fusão de vidros especiais. GRUPO O grupo que desenvolveu o novo material inetra o Centro Multidisciplinar de Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos, um centro de excelência da Fapesp (CEPID) e é formado pelos seguintes pesquisadores: Prof. Dr. Leinig Antonio Perazolli, Prof. Dr. José Arana Varela, Prof. Dr. Elson Longo da Silva, Tânia Regina Giraldi, Dr. César Roberto Foschini, Dr. José Alberto Cerri, Dra. Ieda Maria Garcia dos Santos, Prof. Dr. Edson Roberto Leite, Prof. Dr. Sérgio Mazurek Tebcherani, José Wilson Gomes, Ubirajara Coleto Júnior, Dr. Carlos Alberto Paskocimas, Dr. Ronan Michel Fernand e Prof. Dr. Antonio Carlos Ernandes.