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Centro terá indústria de pamonha

Publicado em 05 março 2009

Distrito tradicional produtor da matéria-prima anuncia, às vésperas de mais uma Festa do Milho, lançamento de planta inovadora para fazer a iguaria

O puro creme do milho que atravessou fronteiras e fez a fama de Piracicaba, entre as décadas de 60 e 70, vai se transformar em uma nova receita para o desenvolvimento econômico sustentável, com geração de emprego e renda. Os ingredientes dessa iniciativa vão além de milho, açúcar e água. A pamonha de Piracicaba ganhará uma fábrica ainda este ano, fruto de projeto que agrega inovação tecnológica e controle de qualidade, além de incentivar os pequenos produtores rurais e garantir a demanda de consumo durante a tradicional Festa do Milho, que começa neste sábado, 7, e segue todos os finais de semana até o dia 22.

A implantação da Agroindústria do Centro Rural de Tanquinho, já chamada de fábrica de pamonhas, é fruto do Programa de Verticalização da Agricultura Familiar na Cadeia Produtiva do Milho Verde, projeto que reúne o Escritório Regional do Sebrae em Piracicaba, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o Centro Rural de Tanquinho, a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Piracicaba e a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), financiadora do projeto. O objetivo do programa, iniciado em 2003, é criar projetos de geração de trabalho e renda, com oportunidade para inserção do pequeno produtor rural, de base familiar, no mercado de trabalho, valorizando a história e cultura do município.

A fábrica de pamonhas já está com a infra-estrutura pronta, em um galpão que ocupa área de 500 metros quadrados do Centro Rural de Tanquinho, distrito de Piracicaba, onde será instalado o maquinário da linha de produção. Os equipamentos estão em fase de montagem e começam a funcionar a partir de abril com os testes de produção da pamonha. O início da operação, voltada a comercialização, está previsto para o segundo semestre deste ano. A capacidade inicial será de 6 mil pamonhas por dia.

Segundo o gerente regional do Sebrae, Antonio Carlos de Aguiar Ribeiro, o projeto vai alavancar negócios em vários segmentos. “Além do pequeno produtor que poderá ampliar o cultivo do milho para atender a demanda da agroindústria, o projeto beneficiará também o turismo e o comércio varejista, influenciando diretamente na geração de emprego e renda”.

Inovação

A montagem da fábrica de pamonhas passou por processo inédito com a construção de equipamentos especiais para planta industrial.

Segundo o professor José Albertino Bendassolli, presidente do Centro Rural de Tanquinho, foi necessário desenvolver o maquinário, já que não existe nada similar no mercado. “Já estamos pensando em patenteá-lo”, afirma.

As máquinas foram desenvolvidas por empresa especializada e já estão praticamente prontas, restando apenas a montagem no local.

A linha de produção terá o despolpador que fará a retirada do milho das espigas e a moagem dos grãos, transformando-os em um creme.

A segunda máquina é o formulador, responsável pela mistura do milho moído, água e açúcar, que são os ingredientes da pamonha. O terceiro equipamento é o envasador, que determina a quantidade do creme com um volume padrão para cada palha que envolve a pamonha. A linha de produção é finalizada com máquinas automatizadas para a costura de fechamento da palha. Em seguida, o produto será disposto em gaiolas com um sistema de guincho para que sejam mergulhadas nos tachos de cocção para o cozimento.