Notícia

Gazeta Mercantil

Centro do Genoma Humano da USP custou R$ 1,2 mi

Publicado em 01 setembro 2000

Por Íris de Oliveira - de São Paulo
O Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) inaugura segunda-feira o Centro de Estudos do Genoma Humano, o maior centro de pesquisa em genética humana da América Latina, um investimento de cerca de R$ 1,2 milhão. Os recursos vieram da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) a do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). O centro levou um ano sendo construído, tem dois andares, vai ampliar a capacidade de pesquisas e dobrar o atendimento gratuito ao público em casos de aconselhamento genético. Semanalmente são atendidas cerca de 100 pessoas, principalmente casais interessados em saber a probabilidade de terem um filho que herde uma anomalia da família. USP TERÁ O MAIOR CENTRO DE PESQUISA EM GENÉTICA DA AL A inauguração nesta segunda-feira do Centro de Estudos do Genoma Humano do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) é mais um avanço do País na corrida por excelência científica em genética. Foram gastos cerca de R$ 1,2 milhão para a construção deste que é o maior centro de pesquisa em genética humana, da América Latina. O novo centro levou um ano para ser construído, a partir de recursos provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São (Fapesp)do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). O prédio de dois andares vai ampliar a capacidade de realização de pesquisas por ; conta de novos equipamentos e dobrar o atendimento gratuito ao público em casos de aconselhamento genético. Entre os equipamentos encontram-se seqüenciadores automáticos acoplados a sistemas computadorizados que podem seqüenciar grande quantidade de DNAs, a materia prima dos cromossomos, ao mesmo tempo. Máquinas avaliadas em U$$ 100 mil cada uma. Semanalmente são atendidas nas dependências da faculdade cerca de 100 pessoas. Muitos destes pacientes são casais preocupados com a probabilidade de terem um filho herdeiro de anomalias por herança genética. Nestes casos além de realizar o diagnóstico molecular rios futuros pais para saber se são portadores, a USP oferece diagnóstico pré-natal para aqueles que optem por enfrentar uma gravidez de risco. Embora a legislação brasileira proíba o aborto em casos de má formação do feto, a universidade defende o direito dos pais decidirem sobre o assunto embasados em diagnósticos do feto. "Estamos batalhando para que se mude a legislação", afirma Mayana Zatz, professora- titular de genética humana e coordenadora do centro. "Se um feto de 8 a 10 semanas é portador de uma doença grave e irreversível, o casal tem o direito de saber para optar em manter ou cortar a gestação", defende. O instituto trabalha com cerca de 50 doenças conhecidas, entre elas as distrofias musculares, degenerações progressivas dos músculos. Por este trabalho de compreensão do genes, a equipe dos 11 geneticistas do departamento participa das discussões do Projeto Genoma Humano, criado em 1990, sob a liderança dos EUA e do Reino Unido, que visa a seqüenciar o genoma até 2005. É denominado genoma o patrimônio genético de um ser vivo, ou seja, a coleção de genes alojada nos cromossomos. "O Brasil, na parte de genética molecular, assumiu a liderança em pesquisa em todo o terceiro mundo", afirma o representante na América Latina da Organização do Genoma Humano. Sérgio Danilo Pena, professor da Universidade de Minas Gerais, pioneira nos estudos do mapeamento genético da população brasileira.