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Centro de pesquisas vai estudar dengue, zika e chikungunya

Publicado em 05 dezembro 2019

Por Agência FAPESP

Novo espaço em Rio Preto vai abrigar a nova fase de testes da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan e também fará atendimentos

A Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) inaugurou, no fim de novembro, no bairro da Vila Toninho, seu novo Centro de Pesquisas Clínicas.

O espaço vai abrigar a nova fase de testes da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan e também atendimentos feitos no âmbito do Projeto Temático “Estudo epidemiológico da dengue (sorotipos 1 a 4) em coorte prospectiva de São José do Rio Preto”, apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo).

“No espaço, gerido em parceria com a prefeitura, nós atendemos os voluntários de ambos os estudos, que somam cerca de 3 mil pessoas. São dois consultórios, sala de coleta, sala de reuniões e escritório administrativo. Uma infraestrutura apropriada para a realização das pesquisas”, disse Mauricio Lacerda Nogueira, professor da Famerp e coordenador dos trabalhos.

A infraestrutura física foi custeada pelo Instituto Butantan, que investiu em torno de R$ 100 mil. A FAPESP contribui para as pesquisas por meio do financiamento de bolsas para estudantes e do Projeto Temático.

“As instalações são anexas à UBS Vila Toninho, gerida pela prefeitura. As salas de atendimento médico do centro de pesquisa também serão usadas pela Secretaria de Saúde do município para expandir o atendimento da UBS feito por médicos residentes da Famerp”, explicou Nogueira.

São José do Rio Preto é um dos 16 municípios que testam a vacina contra a dengue. O imunizante teve apoio da FAPESP na fase inicial de desenvolvimento. A imunização foi realizada no ano passado e os voluntários serão acompanhados por meio de consultas e exames pelos próximos anos, a fim de verificar a eficácia e a segurança da vacina.

Estudos sobre outras doenças estão previstos para começar em breve no centro, entre eles o da vacina de gripe tetravalente, também desenvolvida pelo Butantan.

Evidências

O Projeto Temático coordenado por Nogueira já publicou diversos resultados de estudos sobre dengue, zika e chikungunya que poderão subsidiar ações de saúde pública. Em um artigo divulgado no ano passado, o grupo descobriu que uma linhagem do vírus da dengue encontrada no Brasil consegue prevalecer sobre outra, mesmo se multiplicando menos nos mosquitos e nas células humanas.

O grupo também descobriu que o vírus zika pode ter um ciclo silvestre no país depois de detectar carga viral em macacos. No começo do ano, Nogueira e colaboradores publicaram um artigo na Science com evidências de que uma infecção prévia pelo vírus da dengue pode gerar imunidade contra o zika.

Encontro internacional

Para discutir esses e outros estudos sobre arboviroses, conduzidos no Brasil e no exterior, acontece entre os dias 4 e 7 de dezembro, em São José do Rio Preto, o “IV Famerp-UTMB: Emerging infections in the Americas – common interests and collaboration between Brazil and USA”.

O encontro conta com palestrantes de universidades do Brasil, Estados Unidos, Porto Rico, Reino Unido, França e Argentina – parte de uma grande rede de pesquisas sobre doenças transmitidas por vetores.

Mais detalhes sobre o evento em: arbovirology.famerp.br