Notícia

TN Petróleo online

Centro de pesquisa RCGI apresenta 'highlights' de seus projetos

Publicado em 01 outubro 2020

O desenvolvimento de juntas para vedação capazes de reduzir boa parte das emissões mundiais de metano (CH4), um dos principais gases de efeito estufa, por vazamentos em turbinas e máquina pneumáticas; a construção da segunda geração de um separador supersônico do gás metano e de dióxido de carbono (CO2); e uma tecnologia que prevê o uso de cavernas construídas na camada de pré-sal para separar o CO2 do metano e estocar o dióxido de carbono foram alguns dos resultados de pesquisa apresentados com destaque no primeiro dia do workshop do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI). No evento, foi feito um balanço dos cinco anos de atividades do centro de pesquisa com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

O centro desenvolve estudos avançados no uso sustentável de gás natural, biogás, hidrogênio, gestão, transporte, armazenamento e uso do CO2 e conta com mais de 370 pesquisadores atuando em 46 projetos distribuídos em cinco grandes programas de pesquisa, com forte colaboração internacional. "O RCGI não é apenas um centro de pesquisa, mas um centro de pesquisa, inovação e disseminação do conhecimento", ressaltou o professor Julio Meneghini, diretor científico do RCGI, acrescentando que nas próximas semanas o centro deverá anunciar novos programas que terão início em 2021. De acordo com ele, o modelo de funcionamento do RCGI, com o investimento privado (em especial da Shell) complementando o investimento público (da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp, e da USP), é uma das razões para o sucesso e consolidação do centro.

"Uma das nossas principais tarefas para essa segunda fase do RCGI é encontrar novas formas de financiamento; planejamos trabalhar na disseminação do conhecimento em um nível ainda mais alto, para ir além do que alcançamos nestes primeiros anos", disse Meneghini. "Um centro que busca integrar pessoas e grupos diferentes é muito mais do que a soma de partes individuais. Quando se tem um centro como esse, o ganho é enorme." Segundo ele, entre os desafios que o RCGI continuará a enfrentar está o de evitar o excesso de controle e governança para que não se iniba a criatividade e a possibilidade de inovação. "Ter uma abordagem de mente aberta, ou inovação aberta, em todas os nossos projetos é algo extremamente importante."

O workshop "RCGI in Review - 5 years of gas innovation" ocorre ao longo de dois dias. Na primeira parte do evento, no dia 30 de setembro, além de Meneghini, expuseram os resultados os diretores de três dos cinco programas de pesquisa do centro: Emílio Carlos Nelli Silva, do programa de Engenharia; Reinaldo Giudici, do programa de Físico-Química; e Edmilson Santos, do Programa de Políticas de Energia e Economia; além de Guenther Carlos Krieger Filho, vice-diretor do Programa de Engenharia.

Silva e Krieger Filho destacaram a importância da construção de uma infraestrutura de laboratórios e instrumentos para a realização de pesquisas e das colaborações internacionais, entre outros, com o Imperial College de Londres e com a Universidade de Cambridge, no Reino Unido. "Para frutificar, a colaboração tem de ser um movimento de duas vias", disse Emílio Silva. "Eles nos trazem conhecimento, mas nós também precisamos ajudar de alguma forma. Se um lado acha que o outro não será útil, não funciona tão bem." Os 11 projetos do programa sobre os quais apresentaram os resultados incluem questões sobre o armazenamento e vazamento de gás, o uso de gás natural para o transporte e a tecnologia de medição de poluentes atmosféricos.

Com relação aos dez projetos abrigados no programa de Físico-Química, o professor Reinaldo Giudici apresentou os avanços obtidos com o desenvolvimento de catalisadores, células combustíveis e pesquisas sobre o uso de energia solar, entre eles um sistema híbrido que utiliza energia solar e gás, até uma pesquisa na qual se desenvolveu um biopolímero biodegradável, o polihidroxibutirato (PHB), a partir de metano, usando bactérias. Setenta e oito artigos foram publicados em revistas científicas como resultado das pesquisas apenas desse programa, apontou o pesquisador.

O professor Edmilson Moutinho dos Santos, coordenador do programa de Políticas de Energia e Economia do RCGI e docente do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, ressaltou o caráter interdisciplinar dos projetos do programa, que contam com a colaboração de parceiros dentro da universidade, como a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) e os departamentos de Economia e Geografia. Os projetos do programa abordam a questão legal e regulatória sobre o gás natural, questões urbanas, a dimensão econômica e logística, entre outras. Ele afirmou que as colaborações internacionais foram muito importantes para o programa. "Até a chegada do gás natural da Bolívia, no fim dos anos 90, o papel do gás era em boa parte desconhecido dos brasileiros", afirmou. Um dos projetos teve como objetivo melhorar o canal para disseminar o conhecimento sobre as questões jurídicas e regulatórias. Para isso, foram produzidos, entre outros materiais, um dicionário jurídico sobre o gás e sete livros sobre o assunto.

O workshop online, realizado em ambiente virtual em razão da pandemia do coronavírus, teve a coordenação de Gustavo Assi, diretor de Inovação e Difusão do Conhecimento do RCGI.

Sobre o RCGI: O FAPESP SHELL Research Centre for Gas Innovation (RCGI) é um centro de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Shell. Conta com cerca de 400 pesquisadores que atuam em 46 projetos de pesquisa, divididos em cinco programas: Engenharia; Físico/Química; Políticas de Energia e Economia; Abatimento de CO2; e Geofísica. O Centro desenvolve estudos avançados no uso sustentável do gás natural, biogás, hidrogénio, gestão, transporte, armazenamento e uso de CO2. Saiba mais em: https://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/