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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Centro de Memória volta a funcionar

Publicado em 12 agosto 2005

Por Thaís da Silveira
O arquiteto Nilson Ghirardello assumiu a entidade na semana passada; o órgão abrirá às quintas e sextas-feiras

Após três meses fechado, o Centro de Memória Regional Universidade Estadual Paulista (Unesp)/ Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) voltou a abrir suas portas, sob coordenação do arquiteto Nilson Ghirardello.
Uma das principais pendências que impediam a reabertura do órgão era a nomeação oficial do novo coordenador, que foi publicada somente no final de julho. O impasse teve início em abril, quando o então coordenador da entidade, João Francisco Tidei de Lima, deixou o cargo após 13 anos desempenhando a função. Ele foi demitido (sem justa causa), inserido no grupo de 48 pessoas contratadas pela Fundação da Universidade Estadual Paulista (Fundunesp) que não são funcionárias públicas mas estavam trabalhando em órgãos públicos.
Ghirardello reabriu o Centro de Memória na semana passada, dia 4 de agosto. Por enquanto, o órgão só funcionará às quintas e sextas-feiras, das 9h às 12 e das 14h às 17h30. "São os dias em que eu estou afastado da Unesp, porque eu ainda dou aulas e faço pesquisa", justifica o novo coordenador.
Ele prevê, entretanto, que três estagiários comecem a trabalhar na entidade na próxima semana, ampliando o horário de atendimento da entidade. Além disso, o arquiteto afirma que existe a possibilidade de que um funcionário de carreira da Unesp seja realocado para trabalhar no Centro de Memória.
"Independentemente do coordenador, o arquivo tem de continuar. Precisa ter um quadro de funcionários para que as coisas funcionem", enfatiza Ghirardello. "Futuramente, teremos atendimento contínuo, em todos os dias da semana", afirma.

Convênios
Segundo o novo coordenador, está sendo analisada a possibilidade de assinatura de um convênio entre a Unesp e a Prefeitura de Bauru para que a administração municipal colabore com a manutenção e vigilância do Centro de Memória, inclusive destinando um funcionário para trabalhar no local.
"Já estamos em contato e a minuta está no setor jurídico da Unesp e na Secretaria de Negócios Jurídicos da prefeitura", afirma.
Outra pendência é a retomada do convênio com a RFFSA para gerenciamento dos bens da rede ferroviária. A ruptura do convênio ocorreu com a medida provisória 246, de abril desde ano, que determinava que os bens da RFFSA passariam a pertencer à União. Embora a MP tenha caído, a Unesp tem de se reportar ao Arquivo Nacional, com sede no Rio de Janeiro, para tratar da guarda e manutenção do patrimônio. "Também enviamos minuta de convênio e estamos aguardando", diz Ghirardello. 

Serviço
O Centro de Memória Regional Unesp/RFFSA abre às quintas e sextas-feiras, das 9h às 12h e das 14h às 17h30. O endereço é quadra 1 da rua 1 de Agosto, ao lado do Museu Ferroviário Regional. Outras informações pelos telefones (14) 9714-3716 e (14) 3103-6059.

Acervo
Uma das prioridades de Nilson Ghirardello como coordenador do Centro de Memória Regional Universidade Estadual Paulista (Unesp)/ Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) é disponibilizar para pesquisa os 60% do acervo que ainda estão em estado bruto.
O material precisa ser selecionado - há documentos deteriorados e outros de pouco valor -, higienizado e organizado para então ser liberado para pesquisa. Atualmente, o acervo bruto está armazenado na Unesp e na antiga Estação da Companhia Paulista, localizada na rua Rio Branco, no Centro de Bauru.
Outra meta é informatizar o acervo. "Pretendemos apresentar um projeto à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para obter apoio para a informatização", expõe Ghirardello.
Ele tem planos, ainda, de criar uma biblioteca no local com obras sobre a ferrovia. "Acredito que temos que focar a questão da ferrovia e reforçar a biblioteca - temos pouca coisa ainda - com livros sobre a história da ferrovia no Brasil, além de livros técnicos. Podemos nos tornar um ponto de referência muito grande de estudo ferroviário", avalia.
O arquiteto reforça que a entidade continua aceitando doações de livros, materiais ou documentação histórica, principalmente ligada à ferrovia