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Diário Regional (Diadema, SP)

Centro de memória vai contar a história da Uniforja

Publicado em 08 dezembro 2011

Após a publicação do livro "Diadema: Em cada esquina uma história", do memorialista Walter Adão Carreiro, o Centro de Memória se prepara para novo e estimulante desafio: contar a trajetória da Uniforja, cooperativa de trabalhadores erguida em outubro de 2000 dos escombros da falida Conforja e que é considerada a mais bem-sucedida experiencia de cooperativismo do país.

A ideia é contar a historia da empresa desde  o nascimento da Conforja, em 1954, ainda no bairro paulistano da Mooca, pelas mãos do alemão Willy Endley. O livro vai mostrar a mudança para Diadema nos anos 60, como se transformou na maior forjaria da América Latina, seu declínio nos anos 1980 e o renascimento com a criação da cooperativa, a partir da aquisição da massa falida pelos trabalhadores.

"Comecei a fazer as entrevistas ainda em 1998, quando a Conforja faliu. Agora, com o pedido dos cooperados para publicar o livro, estou recuperando aquele material e coletando novos relatos junto aos trabalhadores"", revela o historiador Absolom de Oliveira, que coordena o Centro de Memória de Diadema e, ao lado de Carreiro, desenvolve excepcional trabalho de preservação da história da cidade".

O historiador já contabiliza 56 relatos. Um. dos mais importantes é o dó advogado Marcelo Mauad, à época integrante do departamento jurídico do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que desempenhou papel importante na criação da Uniforja. Não por acaso, estão sob os cuidados de Mauad - agora assessores jurídicos da Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol Brasil) - os trâmites das Hidrocoop, cooperativa criada pelos trabalhadores da Darka, fabricante de bombas hidráulicas de Diadema.

Segundo o historiador, a ideia é que" a publicação seja concluída no próximo ano. "O tempo é escasso, mas faremos um trabalho à altura do esforço dos cooperados, que construíram uma experiência inovadora na cidade e que se transformou em exemplo para o país", ressalta Oliveira.

Entre os livros já publicados pelo órgão estão "Diadema: caminhos e lugares" (1999), que relata os avanços da cidade por meio de fotografias; e "História do município de Diadema" (2000), de Wanderley dos Santos, em parceria com a então Faculdade de Diadema (FAD), atual Grupo Educacional Uniesp. O Centro de Memória publicou também um kit pedagógico composto de quatro livros, 20 pranchas fotográficas, 29 mapas e CD-ROM financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Criado em 1993, o Centro de Memória reúne 10 mil fotografias e volume não contabilizado de documentos históricos. 0 próprio imóvel onde está o órgão é testemunho do passado do município. A casa abrigou a família de Alberto Simões Moreira, fazendeiro responsável pela abertura da avenida Alda. Mais tarde foi sede de um colégio de freiras e da Secretaria de Educação e Cultura.