Centro de diagnóstico molecular da Unifesp eleva precisão contra o câncer
Centro de diagnóstico molecular da Unifesp eleva precisão contra o câncer iniciou suas operações no começo de abril, tornando-se o primeiro laboratório público do país dedicado à análise genômica e espacial de tumores, o que deve acelerar diagnósticos e personalizar terapias oncológicas.
Centro de diagnóstico molecular da Unifesp eleva precisão contra o câncer
Instalado na Escola Paulista de Medicina, o novo Laboratório Interdisciplinar de Multiômica Espacial conta com a plataforma de análise GeoMx e nCounter, capaz de investigar alterações em DNA e proteínas de amostras mínimas de tecido tumoral. A tecnologia permite examinar as células em alta definição, identificando mutações responsáveis pela evolução de cada tipo de câncer.
De acordo com a professora Soraya Smaili, do Departamento de Farmacologia da Unifesp, o equipamento oferece “um diagnóstico pessoal, rápido e detalhado, possibilitando respostas terapêuticas igualmente personalizadas”. A estrutura reúne 27 projetos de pesquisa de instituições como USP, Santa Casa de São Paulo, Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, hospitais São Camilo e A.C. Camargo, além da própria universidade.
O diferencial do centro está na detecção de marcadores genômicos que ainda não fazem parte da rotina do Sistema Único de Saúde (SUS). Exames tradicionais dependem da biópsia analisada pelo patologista, enquanto a abordagem multiômica busca biomarcadores específicos, a exemplo dos genes BRCA1 e BRCA2 (câncer de mama) ou mutações no gene BRAF (câncer de pele). A identificação precoce dessas alterações permite iniciar tratamentos antes mesmo de o tumor estar plenamente estabelecido, aumentando as chances de cura e de sobrevida.
A professora Janete Cerutti, uma das coordenadoras do projeto, ressalta que o método beneficia pacientes com histórico familiar de tumores agressivos, como pâncreas e pulmão. “Quando avaliamos pequenas variações em células sanguíneas, antecipamos intervenções e reduzimos o risco de metástases e complicações graves”, afirma.
O laboratório recebeu investimento inicial de R$ 5 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O próximo passo é firmar convênio com o SUS, o que permitirá ampliar o atendimento para hospitais públicos e integrar os resultados genômicos à rede assistencial, reforçando o papel da Unifesp na saúde pública por meio do Hospital São Paulo.
A equipe multidisciplinar liderada por Soraya Smaili reúne especialistas como Miriam Galvonas Jasiulionis, Rui Maciel, Michelle Samora, Angela Waitzberg, Lucas Leite e Adolfo G. Erustes. Ao todo, 17 pesquisadores associados apoiaram a proposta aprovada pela FAPESP, posicionando o laboratório como polo de formação avançada em oncologia, imunologia e neurociências.
Para Smaili, a maior conquista será transformar o espaço em referência nacional em pesquisa alinhada ao diagnóstico genômico. “Esperamos que o funcionamento pleno gere inovações que beneficiem diretamente pacientes do sistema público”, conclui.
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