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Correio Popular

Centro de Campinas viveu expansão a partir de 1892

Publicado em 01 janeiro 2006

Por Maria Teresa Costa, da Agência Anhanguera (teresa@rac.com.br)
Inventário aponta construção de 78 imóveis ao ano no período que vai até 1920

Entre 1892 e 1920, o Centro de Campinas viveu um boom imobiliário: 78 imóveis foram construídos por ano na área central. Pode parecer pouco se comparado a Campinas de hoje, com 1,1 milhão de habitantes. Mas, para aquele período, era um crescimento espantoso se levado em consideração que a cidade tinha menos de 20 mil habitantes. As ruas 13 de Maio, Barão de Jaguara e Regente Feijó foram as mais ocupadas no período, segundo o Inventário da Região Central de Campinas, projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) dentro do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas e que envolve a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Prefeitura.
O conjunto de informações irá fornecer instrumentos para a elaboração de uma política de preservação do sítio histórico. A primeira fase do projeto foi apresentada ao Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural (Condepacc). Nela foram realizados os levantamentos dos registros imobiliários, com mapas e plantas do conjunto construtivo do período. A partir de janeiro, terá início uma nova fase: a identificação dos imóveis remanescentes. O recorte de tempo considerado na pesquisa inclui 1892, ano do primeiro registro encontrado no acervo histórico do Arquivo Municipal de Campinas, até 1929, quando foi feito um levantamento da planta cadastral do perímetro urbano de Campinas pelo engenheiro Jorge Macedo Vieira, serviço contratado pelo prefeito Orosimbo Maia.
Vieira foi responsável também, a partir daquele levantamento cadastral, pelo reemplacamento da cidade, adotando o sistema de numeração por metro linear. Segundo os pesquisadores, foi sobre essa base de dados que Prestes Maia desenvolveu estudos para seus projetos de urbanismo que propiciaram, de um lado, a expansão da mancha urbana e, de outro, a completa remodelação do Centro da cidade, com o alargamento das avenidas Francisco Glicério e Campos Salles, por exemplo.
O inventário do Centro é coordenado pela historiadora da Coordenadoria Setorial de Patrimônio Cultural (CSPC) Daisy Ribeiro e pela antropóloga Silvana Rubino, do Centro Interdisciplinar de Estudos da Cidade (Ciec) do Departamento de História da Unicamp. A proposta do projeto é formar um banco de dados da construção civil da Vila Industrial e do Centro da cidade entre 1890 e 1930.
Grande parte dos pedidos de reforma e construção do período estão digitalizadas. Silvana informa que o banco de dados já soma 3 mil plantas digitalizadas e catalogadas, e permite selecionar a pesquisa por ruas, ano de construção, de reforma, nome dos proprietários.
O perímetro estudado é delimitado pelas ruas Aquidabã, Irmã Serafina, Anchieta, Guilherme da Silva, Júlio de Mesquita, Olavo Bilac, Carlos Guimarães, Orosimbo Maia, Jorge Krug, Barão de Itapura, Dr. Ricardo e Lidgerwood.
Pelo menos 42 ruas dentro desse perímetro viveram, no período, grande efervescência construtiva. Essas ruas, segundo as coordenadoras do projeto, podem ser compreendidas como um significativo indício dos processos de estruturação urbana em curso, o que, dentre outras possibilidades, aponta a consolidação de uma malha urbana marcada pela diversidade de usos do solo, porém com predomínio dos usos comercial, manufatureiro e de serviços, ainda que associados aos uso residencial.
Entre os dez logradouros com maior volume de registros foram encontrados pelo menos cinco que se constituem como áreas historicamente marcadas pela presença de comércio, serviços e pequenas fábricas (13 de Maio, Barão de Jaguara, Dr. Quirino, Francisco Glicério e General Osório)

Saiba mais
As dez ruas e avenidas do Centro de Campinas que mais receberam edificações no período que vai de 1892 a 1920 e o número de construções:
Ruas e avenidas - Nº
13 de Maio - 136
Barão de Jaguara - 127
Regente Feijó - 122
Ferreira Penteado - 106
José Paulino - 100
Dr. Quirino - 98
Francisco Glicério - 90
General Osório - 65
General Carneiro - 64
Dr. Costa Aguiar - 59

Fonte: Inventário da Região Central de Campinas