Notícia

Correio Popular (Campinas, SP)

Centro de Bioetanol recruta pesquisador

Publicado em 17 julho 2008

Por Patrícia Azevedo

O diretor do Centro de Pesquisa em Bioetanol, o pesquisador Marco Aurélio Pinheiro de Lima, da Unicamp, já está selecionando pesquisadores para integrar o corpo de profissionais da instituição. Parte será buscada no mercado interno e outra terá de ser captada no Exterior. “Vamos precisar de pesquisadores de várias áreas e vamos convidar a comunidade internacional para participar”, disse o diretor.

Ao mesmo tempo, o trâmite para a construção do prédio onde funcionará o centro prossegue e, da verba de R$ 69 milhões destinada ao projeto, R$ 40 milhões já estão liberados. “O projeto já está pronto e já podemos começar a fazer as instalações”, informou Lima. O centro irá funcionar no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas.

De acordo com o diretor, os recursos previstos são suficientes para a construção do centro, mas é imprescindível haver uma continuidade na liberação de verbas para a manutenção das pesquisas. Para tanto, o caminho será a busca de parcerias com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), indústria e outros laboratórios de pesquisa.

Nos cálculos do pesquisador, para funcionar com 80 a 100 pesquisadores e com uma rede de laboratórios conveniados, o centro precisa ter um orçamento anual de R$ 43 milhões. “Não é muito alto se você conseguir criar parcerias”, destacou Lima.

Segundo o diretor, hoje, o Brasil utiliza apenas um terço da cana-de-açúcar para a produção do etanol. “Um terço da energia está no caule, que é usado hoje na produção, um terço está no bagaço e um terço na palha. Hoje, você queima a palha e isso, além de ser uma violência ecológica, é uma violência econômica”, argumentou.

Para compor o corpo de profissionais, será feito um convênio com a Fapesp para dar bolsa a jovens pesquisadores que queiram trabalhar no centro. “O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) também será buscado porque o centro não vai conseguir resolver seus problemas se não construir um corpo de pesquisadores competentes e uma rede associada de laboratórios”, disse Lima.

Além disso, adiantou, o centro vai buscar a participação de indústrias para ajudar a desenvolver a tecnologia necessária para produzir o chamado álcool de segunda geração, feito a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar.

Lima destacou que o centro vai operar de forma diferente da que se costuma fazer pesquisa no Brasil. “Vamos trabalhar como os americanos, fazendo pesquisas orientadas com o objetivo definido desde o início. O que nós estamos tentando fazer é uma espécie de (projeto) Apolo brasileiro”, explicou Lima, citando o projeto espacial norte-americano.