Notícia

Revista Hospitais Brasil

Centro cirúrgico

Publicado em 01 maio 2013

O Brasil realiza mais de meio milhão de cirurgias plásticas por ano, das quais a maioria é estética. Porém, cerca de 40% das pessoas submetem-se a esse tipo de tratamento com outra finalidade: reparar uma deformidade de nascença ou adquirida no decorrer da vida, que muitas vezes compromete a funcionalidade do organismo, além de provocar profundos danos psicológicos. Erroneamente consideradas supérfluas, as cirurgias plásticas se tornaram importantes não apenas para solucionar questões estéticas, e, graças às novas tecnologias, estão melhorando cada vez mais a qualidade de vida e a saúde das pessoas, transformando-se numa verdadeira questão de saúde pública. E as cirurgias plásticas reparadoras são as que mais se encaixam neste contexto.

Seu papel no atendimento aos queimados é importantíssimo dentro de uma equipe mutidisciplinar. A queimadura é caracterizada por uma lesão que foi gerada por algum agente físico, como o calor e o frio, entre outros. A classificação da queimadura dentro da cirurgia plástica é feita por sua extensão e profundidade. Pela extensão, o que se calcula na cirurgia plástica é a área de superfície corporal queimada (SCQ), sendo que cada membro e cada região do corpo representa uma porcentagem do total. Já pela profundidade, a queimadura é classificada pelo grau de destruição celular: primeiro grau, segundo grau superficial, segundo grau profundo e terceiro grau. Dr. Alderson Luiz Pacheco, especializado em cirurgia plástica de queimados, comenta que o atendimento ao paciente pode ser realizado na fase aguda ou na tardia. “Na fase aguda são realizados cuidados locais com medicamentos eficazes em penetrar nos tecidos e matar as bactérias em crescimento, minimizando o dano", explica. Segundo ele, é também nessa fase que é feita a reposição de volume com o soro fisiológico e calculada e apresentada a dose dos analgésicos, como a morfina, que deverão ser usadas no paciente – além do controle clínico geral do enfermo.

“Após essa recuperação, passa a ser possível a realização da cirurgia plástica reparadora, que envolve o tratamento de sequelas como retrações de cicatrizes que impedem o movimento de articulações, além de enxertos de pele e retalhos, que devolvem a mobilidade e minimizam as cicatrizes decorrentes da queimadura”, ressalta o Dr. Alderson. As cirurgias plásticas reparadoras de queimaduras necessitam de cuidados especiais, que vão além dos habituais em cirurgias estéticas, pois os danos podem atingir a superfície da pele e do órgão e até causar a perda total da substância do tecido epidérmico ou muscular, como acontece no caso da queimadura por choque.

“Por isso,a cirurgia reparadora trata não só da estrutura física, mas também do estado psicossocial do paciente, já que ele, minutos antes era saudável e após a queimadura está parcial ou completamente deformado", ressalta o especialista de Curitiba. A grande quantidade de fumaça inalada é um dos grandes problemas enfrentados, pois compromete todo o sistema respiratório do paciente. Por isso, ele deve ser mantido no respirador, sem poder sair da UTI e, portanto, muitas vezes a cirurgia reparadora, que requer máxima precisão, precisa ser realizada ali mesmo.

draldersonluizpacheco.wordpress.com

INFECÇÃO

Outro problema que afeta os pacientes queimados é a infecção bacteriana. Em vista a isso, foi realizada, entre 2007 e 2012, uma pesquisa no Hospital das Clínicas de Botucatu, SP, que revelou ser a bactéria Staphylococcus aureus a responsável. Foram analisadas 1.380 amostras, de mais de 600 pacientes. O foco era identificar o microrganismo causador da infecção secundária durante o período de convalescência em que o paciente, sem a pele, perde a defesa primária. “Definir o agente patogênico é essencial para orientar formas de tratamento, incluindo o perfil da bactéria para certificar-se se é ou não resistente a antibióticos”, declara o Dr. Marcus Vinícius Pimenta Rodrigues, que integra o grupo de estudos financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Ele salienta que se trata de uma pesquisa localizada, específica deste hospital. Porém, admite a possibilidade de ter proveito em outros locais, por se tratar de um microrganismo de linhagem restrita. “Nessa perspectiva, pode-se presumir que bactérias dessa mesma linhagem estejam no oeste paulista”, exemplifica o profissional. que também é coordenador do curso de Biomedicina, Professor da Medicina e Pesquisador do mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Unoeste, em Presidente Prudente, SP.