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USP - Universidade de São Paulo

Central reúne equipamentos e conhecimento de análises químicas na USP

Publicado em 20 outubro 2009

Por Anselmo Massad, especial para o USP Online

Para permitir que diferentes projetos e unidades tenham acesso a mais técnicas de análise química, o Instituto de Química (IQ) da USP mantém, desde meados dos anos 1980, a Central Analítica, com equipamentos modernos para pesquisa científica. A maior parte dos trabalhos é realizada a pedido de professores e alunos do próprio Instituto, mas também são atendidas empresas e outras instituições.

"Hoje, 80% das análises da Central são voltadas à comunidade do IQ, e o restante é feito para instituições e universidades que não têm equipamentos necessários e para empresas", explica Luzia Narumatsu, analista chefe da Central Analítica.

Análises químicas são formas de se descobrir informações sobre uma amostra, incluindo sua composição e outras características. As técnicas permitem identificar as substâncias presentes, bem como sua concentração.

Apesar de o local ser destinado à pesquisa, Luzia conta casos em que pessoas leigas levaram esponja de cozinha deteriorada por algum produto de limpeza e até um lençol mau-cheiroso para pedir que a Central "descobrisse" a causa dos problemas. Nesses casos, Luzia começa por explicar a finalidade do trabalho e que os técnicos do órgão não podem sequer emitir laudos para outros fins.

Além disso, a análise química não parte de um cenário tão amplo e sem informações prévias. "Não é assim, as análises são voltadas a constatar se um processo conseguiu sintetizar uma determinada substância e com que grau de pureza, por exemplo. Ao fazer os testes, o técnico usa o equipamento que permite avaliar uma questão pontual", avisa.

Ela afirma que há alguns anos, todas as análises produzidas são cobradas, opção adotada para garantir que sejam solicitados apenas os testes necessários para os projetos acadêmicos, sem banalizar seu uso, além de assegurar recursos para a manutenção dos equipamentos. No caso de estudantes e docentes, o valor é mais baixo em relação ao cobrado de outras instituições.

Todas as demandas e a própria entrega dos resultados é feita online, por meio da página da Central Analítica na internet, em área restrita com login e senha para organizar esses fluxos. "Apenas a entrega das amostras é que é feita no local, inclusive nas pesquisas de alunos, em que os orientadores fazem a intermediação", explica Luzia.

História

A criação da Central Analítica inspirou-se em laboratórios semelhantes criados em universidades europeias. A finalidade era reunir todos os equipamentos do Instituto em um mesmo local, economizando e otimizando recursos. Isso porque seria inviável se cada departamento ou grupo de pesquisa precisasse adquirir todos os equipamentos a cada novo projeto de pesquisa. Além disso, um núcleo era obrigado a "negociar" com outros os horários para usar os equipamentos, já que a prioridade era dos pesquisadores que haviam conseguido angariar verbas para a aquisição.

Instalada em 1985, a Central foi idealizada pelo professor João Comasseto. Ele havia participado da implantação de uma central semelhante na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Em diferentes relatos sobre o período, Comasseto apontou dificuldades encontradas, seja de falta de apoio de diretores do Instituto, seja pela descrença de colegas.

Com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e outras instituições de fomento, a Central tem atualmente condições de fazer análise elementar e com raios ultravioletas, difração de raios-x, dicrísmo circular (reação de moléculas à luz, usado principalmente em proteínas), espectrometria de massas (quebra de moléculas cujos resultados são comparados a um banco de dados que permite identificar as características do composto original) e ressonância magnética, técnicas que dão conta da maior parte da necessidade de pesquisa do Instituto, segundo Luzia Narumatsu.