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Na atividade rural, um dos fatores do sucesso é o nível do conhecimento técnico empregado pelos produtores. O Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geogra?a e Estatística (IBGE) mostra resultados preocupantes quando se analisa essa questão. Dos estabelecimentos agropecuários brasileiros (5.071.332 unidades), apenas 19,9% receberam assistência técnica, cuja taxa apresentou profundas diferenças regionais (de 7,4% no Nordeste a 48,6% no Sul).
No caso do total de estabelecimentos com bovinocultura (2.555.333 unidades), a taxa de assistência técnica também foi considerada baixa (25,2%) e com grande variação regional (de 9,9% no Nordeste a 50,9% no Sul). Em termos de Unidades da Federação (UFs), aquelas com melhor percentual de atendimento foram o DF (82,5%) e os estados de SC (55,2%), RS (51,8%), PR (46,0%) e SP (42,1%). Quando tomamos, para comparação, o conjunto dos estabelecimentos com irrigação (505.503), a taxa nacional de assistência técnica é maior (30,1%). De um modo geral, nota-se um dé?cit na prestação desse serviço, que varia entre as atividades e as regiões atendidas.
Na bovinocultura, vemos uma taxa de assistência técnica baixa, tanto nos estabelecimentos com até 50 cabeças (22,5%), quanto nos com mais de 50 cabeças (34%). Isso vale para todas as regiões brasileiras. O melhor atendimento ocorre na classe com mais de 50 cabeças da região Sul (61,1%), enquanto o pior atendimento acontece nos produtores com menos de 50 cabeças na região Nordeste (8,8%).
Em SP, cujo rebanho bovino (5,2 % do total nacional) está na oitava posição entre as UFs, o quadro também surpreende. Apesar de concentrar grande parte da agroindústria nacional e abrigar importantes universidades e centros de pesquisa agropecuária, menos da metade dos produtores recebe assistência técnica. E, entre estes, a maior parte relata seguir orientação própria. Entende-se que, se, mesmo nesse ambiente privilegiado, faltaram decisão política ou recursos humanos e ?nanceiros para a assistência técnica rural, outros estados devem sofrer com obstáculos ainda maiores.
Para enfrentar esse desa?o na área de assistência técnica e buscar uma agri- cultura de baixo carbono (Plano ABC), temos o projeto Práticas Estratégicas para Mitigar as Emissões de Gases de Efeito Estufa nos Sistemas de Pastagens do Sudeste Brasileiro. Trata-se de uma pesquisa com envolvimento da USP, da Embrapa, do Instituto de Zootecnia, do IBGE e da Universidade da Califórnia em 2018 e financiada pela FAPESP. Um dos seus objetivos é estudar os fatores críticos para a transferência de tecnologia de modo a auxiliar a tomada de decisões dos stakeholders na cadeia produtiva da pecuária bovina.
Para além dos objetivos específicos do Plano ABC, devemos ter em vista o aprimoramento em produtividade e qualidade da pecuária brasileira. Para tanto, é necessário que as informações sobre as modernas tecnologias disponibilizadas pela pesquisa cheguem à linha de frente, aos produtores rurais. Isso só será possível caso haja canais e?cientes de comunicação para que as orientações técnicas necessárias alcancem os usuários finais.