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CENA/USP recicla resíduos químicos e reaproveita em novos experimentos

Publicado em 17 maio 2010

Composto por 22 laboratórios das mais diferentes áreas de estudo e pesquisa, que utilizam os mais diversos tipos de produtos químicos na rotina de trabalho, o Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP) gera, anualmente, cerca de 500 toneladas de resíduos, entre sólidos, líquidos e gasosos.

Dar um destino adequado a tudo isso foi o grande desafio do engenheiro químico José Albertino Bendassolli. "Em 2001, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) lançou o programa Infra V, destinado a resíduos químicos e, na ocasião, obtivemos recursos para implementar no Cena um amplo programa de gerenciamento desses materiais e da água utilizada", informa o professor, que também coordena o Laboratório de Isótopos Estáveis da instituição, considerado pioneiro e único na América do Sul na síntese de compostos marcados em 15N (nitrogênio) e 34S (enxofre) para uso, como traçadores, na área agronômica, nutrição animal, ambiental, biomédica, entre outras.

"Nestes quase 10 anos, desenvolvemos métodos objetivando a recuperação, reuso ou reciclagem de vários compostos perigosos e empregamos, quando possível, em outras atividades de ensino, pesquisa e extensão aqui do Cena", disse Bendassolli.

Segundo o pesquisador, o programa proporciona um importante ganho ambiental além de econômico. "O trabalho possibilita o reaproveitamento, ou o tratamento, de vários resíduos químicos, incluindo solventes (etanol, metanol, acetona, acetonitrila, fenol, toluento, hexano, entre outros), soluções inorgânicas (amônia aquosa, cianetos, sulfetos, dióxido de enxofre aquoso, ácidos, bases, soluções contendo metais como estanho, cromo, prata, mercúrio, cobre, selênio) e resíduos sólidos (óxido de cobre e cromio, hidróxido de cromo, géis de agarose ou poliacrilamida)", destaca.

Dessa forma, esses resíduos são processados e parte deles é reutilizada na instituição, gerando economia. Com relação aos efluentes líquidos, o Cena possui laboratórios aonde o índice de reaproveitamento chega a atingir até 95%.

"Porém, o reaproveitamento desses produtos não é a única fonte geradora de economia da instituição. Cálculos do programa de gerenciamento de resíduos químicos estimaram que o consumo mensal do Cena é de 60 mil litros de água desionizada. Essa água é o solvente mais empregado em laboratórios de ensino e pesquisa para o preparo de soluções, padrões, lavagem de sistemas e vidrarias, entre outros".

Anteriormente ao estabelecimento do programa de gerenciamento de resíduos químicos, esta água usada como solvente era produzido pelo método de destilação, com elevado consumo de eletricidade e água no sistema de refrigeração. "Para se ter uma ideia, para obter um litro de água destilada pode-se consumir, em média, 0,8 kwh de energia e 30 litros de água", afirma.

"Trocamos o emprego da destilação pelo processo de troca iônica, que consiste na passagem da água de abastecimento do serviço municipal de saneamento, por duas colunas contendo trocadores de íons (cátions e ânions) e um reator de irradiação ultravioleta".

Segundo Bendassolli, este processo consome quantidade desprezível de eletricidade para seu funcionamento que é essencialmente gravitacional, gerando uma economia mensal de aproximadamente um milhão de litros e 40 mil kwh de energia. "Além dos ganhos financeiros gerados à instituição, onde calculamos que atinja aproximadamente R$ 200 mil ao ano, o projeto também tem objetivos ambientais, nos quais os lucros são incalculáveis, pois formamos profissionais comprometidos com essas questões, sejam eles alunos, técnicos ou estagiários", completa.

O professor destaca a importância das facilidades oferecidas pela Universidade de São Paulo para a implantação do programa, incluindo a construção de uma nova área que abrigará o programa de gerenciamento de resíduos, já aprovada e em fase de licitação.

Assim, numa área com cerca de 900 m2, será construído o Laboratório de Tratamento de Resíduos, um novo entreposto de Resíduos e um almoxarifado de produtos controlados pelo Exército e Policia Federal, com custo de cerca de R$ 500 mil e, aproximadamente, mais R$ 600 mil em equipamentos. "Com essa nova infraestrutura, estaremos aptos para a realização de cursos de extensão nessa área", informa Glauco Arnold Tavares, o especialista de laboratório contratado para gerir o programa.

Também fazem parte do Grupo Gestor de Resíduos do Cena, Juliana Graciela Giovannini de Oliveira (técnica em química e mestre em ciências) e Luccas Libardi Soares de Barros (estagiário da Fatec).

 

Serviço: Cena / USP; Av. Centenário, 303; Piracicaba - SP; www.cena.usp.br; (19) 3429.4611; Assessoria de Imprensa; Engenho da Notícia; contato@engenhodanoticia.com.br; (19) 3302.0100; Fonte: http://www.maxpressnet.com.br/