Notícia

Gazeta de Piracicaba online

Cenário XXI - Para salvar vidas

Publicado em 25 junho 2010

Por Patrícia Azevedo da Agência Anhanguera

Um sistema formado por um microcomputador e uma rede de sensores sem fio pode salvar vidas se for usado pelo poder público na prevenção de enchentes. Criado pelo cientista da computação e professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, Jó Ueyama, a solução avisa quando há risco iminente de enchentes em rios monitorados. "Os dados são enviados para as autoridades responsáveis e para os moradores das imediações. Assim as pessoas conseguem ser removidas em tempo de evitar as tragédias que acontecem na época das chuvas", comenta o pesquisador.

A rede de sensores é formada por um computador do tamanho de uma caixa de fósforo conectado a três sensores de pressão, condutividade elétrica da água e acelerômetro. "Quando o nível do rio está enchendo, a pressão aumenta", explica Ueyama. O sensor de pressão fica submerso e possui sensibilidade suficiente para detectar variações de centímetros no leito do rio.

Os dados são então captados pelo microcomputador, que fica fora do rio, e enviados via radiofrequência para um computador central, que dispara os alarmes para as autoridades responsáveis. "Nossa intenção é avisar sobre o risco de enchente por mensagens de texto enviadas para o celular", comenta o professor. A coleta, recebimento e redirecionamento dos dados é feita por meio de um software desenvolvido pelo cientista. Para que tudo funcione, uma central com computador deve ser instalada em uma distância de até 200 metros do local.

Os dados são transmitidos por radiofrequência, tecnologia chamada zigbee. Para maior eficiência, é preciso espalhar redes de sensores ao longo do rio a ser monitorado. A central tem um mecanismo de localização via GPS que permite identificar com precisão o local em que cada medição é feita e onde há risco de inundação. O projeto foi financiado pela FAPESP e segundo Ueyama, a ideia para o desenvolvimento da rede veio de um trabalho feito pelo colega de pesquisas, o inglês Daniel Hughes, enquanto cursava doutorado na Universidade de Lancaster, no Reino Unido.

O inglês fez um sistema de monitoramento de enchentes para rios britânicos. O pesquisador brasileiro convidou Hughes, que atualmente é professor da Xi"an Jiaotong-Liverpool University (XJTLU), na China, para vir ao Brasil apresentar seu trabalho. O cientista brasileiro adaptou a ideia à realidade brasileira e desenvolveu uma rede de sensores de enchentes baseada na cidade de São Paulo. A solução nacional usa softwares diferentes e tem um sensor a mais, o acelerômetro, que detecta a tentativa de furto do produto. O acelerômetro no interior da central de processamento percebe os movimentos utilizados por alguém que esteja tentando roubar o aparelho e envia um alerta para a central.

O equipamento foi testado em condições naturais com vento e conseguiu detectar com exatidão quando alguém tentava remover o sistema. Para verificar a eficiência do sistema, o cientista fez testes no Rio Tijuco Preto, em São Carlos. Em conjunto com outros pesquisadores da USP, Ueyama apresentou um projeto para monitorar cheias e poluição em um trecho do Rio Tietê, que banha a capital.

Cientista gastou R$ 250 Para alimentar as baterias dos sensores, o professor Jó Ueyama usa painéis fotovoltaicos. Eles são colocados dentro de uma caixa impermeabilizada junto com os sensores na água. Cada sensor tem uma bateria. O sistema não é muito caro. "Como sou pesquisador não paguei imposto de importação, porque todos os sensores e o computador foram importados. O sistema completo com três sensores custou cerca de R$ 250,00", comenta o pesquisador.