Notícia

Jornal do Brasil

Células-tronco para doenças renais

Publicado em 08 setembro 2009

Por Alex Sander Alcântara

O tratamento atual das doenças renais crônicas se resume à terapia de hemodiálise ou ao transplante.

Mas, de acordo com estudos apresentados durante a 24ª Reunião Anual da Federação das Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), realizada em Águas de Lindoia (SP) no mês passado, portadores de insuficiência renal poderão, no futuro próximo, contar com alternativas mais simples e eficazes no combate à doença.

No simpósio em que se discutiu o uso de células-tronco para o tratamento de portadores de doença renal crônica, os trabalhos projetaram possibilidades concretas, como o estudo coordenado pela nefrologista Lúcia Andrade, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Após introduzir células-tronco retiradas da medula óssea de ratos saudáveis em outros com insuficiência renal, a técnica gerou uma reversão do quadro da doença. Os resultados sugerem que as célulastronco, provenientes de animais adultos, são capazes de prevenir e até mesmo de regenerar a função e o tecido renal. Se resultados similares fossem obtidos em humanos, o método poderia, por exemplo, dispensar a diálise.

- O que fizemos até o momento é experimental, em modelo de doença renal crônica em ratos.

Agora, estamos propondo começar a fazer estudos terapêuticos com cães - disse Lúcia, cujo estudo tem apoio da Fapesp.

O grupo utilizou roedores que passaram por cirurgias para simular a doença. Na simulação, os animais ficaram com apenas 20% da função renal. Foram aplicadas duas estratégias diferentes de tratamento.

Duas semanas depois da cirurgia, um grupo de ratos recebeu uma injeção com 2 milhões de célulastronco na corrente sanguínea e outro recebeu três aplicações.

No quarto mês após o início do experimento, os dois grupos de ratos tiveram recuperação da função renal, conseguindo 50% de filtragem.

Segundo Lúcia, em humanos 20% da função renal implica a necessidade de se fazer diálise.

- Já com 50% é possível levar uma vida normal, com dieta e acompanhamento médico. - O modelo que utilizamos é semelhante ao que ocorre em seres humanos.

Os resultados apontam que a doença não só parou de progredir como as funções renais foram recuperadas em parte. Isso é algo entusiasmante.

O estudo foi publicado na revista Stem Cells.